ALMA de criança não mente. E criança que lê poesia, é anjo.
Criança que nasce com os olhos pregados na tela do celular vai virar capeta. Ou um futuro doente de memória corrompida entregue à demência coletiva dos psicopatas da era tecnológica. E não é balela não. É fato consumado. Nem precisa dizer que já me autorrotulei de o profeta do apocalipse eletrônico. Pois, além de sermos reféns deste inferno de falsas e perigosas informações geradas pelos espúrias da internet, estamos nos afundando cada vez mais no precipício da castração intelectual, onde o cérebro magnético dos malditos robôs já pensa artificialmente (ou maquiavelicamente) que vai substituir o que há mais sagrado dentro de nós — a semente do idílio que governa o coração de nossas almas —, por um minúsculo chip, totalmente contaminado pelas bactérias do esgoto tecnológico.
Eis o período da catástrofe iminente, em nossos meios de comunicação e convivências, arruinando a origem, a sensibilidade e a meiguice de nossos sonhos, de permanecermos respirando sobre o que resta da aldeia global.
E podem agora os cientistas da nefasta Inteligência Artificial cantarem de galo, porque logo em breve eles mesmos perderão o controle desta aberração robótica, devolvendo-os à lama psiquiátrica de suas invenções. Estúpidas, anti-humanas e imbecis.
Tomara que os bandidos espertalhões, golpistas e criminosos, ocultos por detrás dos códigos magnéticos, os carreguem para o averno de suas indústrias sem leis.
Ora, que sacanagem é esta: a da Inteligência Artificial escrever romances e poesias. Só mesmo para retardados.
E porque esses cidadãos, do faroeste eletrônico, não vão empunhar cabos de enxadas, abrir covas, e plantar arroz. A humanidade precisa é de comida, prato cheio de legumes e de frutas, feijão, pão, café, estes alimentos germinados pelo útero da terra. De abraços e de sonhos também.
Mas nada deste cavernoso espetáculo é de graça. Há por detrás de tudo isto a ganância mafiosa do capitalismo. E contra esta avalanche de masturbações tecnológicas nada podemos. Homero e Virgílio perderiam o jogo se ousassem entrar no prélio. Porque nós (os humanos AINDA) somos boiadas monitoradas para o mercado internacional do bife e do dólar. Nada significamos, exceto nuvens de gafanhotos. Ou chusmas de confinados ao curral cibernético de seus interesses.
O homem da era do robô, que já levou sujeiras para o solo inocente da lua, — ô pode-se dizer! — não é mais antropologicamente e metafisicamente um homem, mas um robô infelizmente, que vai para o restaurante e põe o celular para comer em seu lugar.
Pensem nisto. Tô fora.
(Durante caminhada de alvorecer pelas solitárias ruas de Inhumas, antes da gritaria dos pneus. Sábado, 9 de maio de 2026)