A soja iniciou a semana em forte alta na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (18), depois de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a China teria prometido aumentar as compras de soja e milho norte-americanos, elevando os contratos futuros da oleaginosa em mais de 20 pontos.
O movimento repercutiu também no mercado de cereais, com avanços do milho e do trigo no mercado internacional. Para o trader de commodities e sócio da PNM Trading, Renan Kuhn, a reação foi motivada sobretudo pela expectativa dos investidores, e não por confirmação imediata de acordos comerciais.
“O mercado reagiu à declaração do Trump de que a China prometeu comprar soja e milho dos Estados Unidos. Isso acaba impulsionando os preços na Bolsa de Chicago, principalmente porque os investidores trabalham muito na expectativa”, afirmou Renan Kuhn.
Fundamentos e cautela
Apesar da alta pontual, Kuhn ressalta que os fundamentos ainda seguem pressionando os preços no médio prazo: oferta global elevada, estoques robustos e a expectativa de uma grande safra norte-americana. Segundo ele, há sinais de aumento de área plantada com soja em relação ao milho nos Estados Unidos, o que amplia a perspectiva de produção.
“Hoje os fundamentos ainda são de baixa para a soja. Existe bastante oferta no mercado, estoques elevados e a safra americana está avançada, com expectativa de produção muito forte”, explicou o especialista.
O analista lembrou que promessas semelhantes já foram anunciadas em ocasiões anteriores durante a relação comercial entre China e Estados Unidos, sem que sempre se concretizassem em volumes significativos.
“O Trump já fez esse tipo de anúncio em outros momentos e depois não se confirmou na prática. No mercado a gente costuma dizer que sobe no boato e cai no fato. Então agora o mercado espera para ver se essas compras realmente vão acontecer”, pontuou Kuhn.
Impacto para o Brasil
Se confirmadas, compras adicionais da China aos Estados Unidos podem elevar a concorrência sobre a soja brasileira no mercado asiático. Kuhn, no entanto, afirma que a China costuma privilegiar a oferta mais competitiva, de modo que o impacto prático no curto prazo ainda é considerado limitado.
O mercado segue atento a sinais mais concretos de volumes e contratos, que serão determinantes para a sustentação da alta nas próximas sessões.