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INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

No teatro, emoções da plateia moldam a recepção do espetáculo

Estudo da premiada doutoranda Ondine Simonot‑Bérenger aponta que a sensação de efervescência coletiva — sentir‑se conectado aos demais espectadores — está fortemente associada à maior apreciação do espetáculo; medidas fisiológicas e acústicas seguem em análise.

Cena de espetáculo com dois intérpretes em palco, iluminação dramática; imagem ilustrativa para matéria sobre estudo de emoções coletivas no teatro.
Imagem ilustrativa de espetáculo. A pesquisa relatada colaborou com a diretora Léa Dubois para criar duas peças que serviram ao projeto, combinando teatro e ciências cognitivas. Foto: Andrej Lišakov/Unsplash

A pesquisadora em ciências cognitivas Ondine Simonot‑Bérenger investigou como as emoções compartilhadas na plateia influenciam a recepção individual de um espetáculo de teatro. Para isso, ela acompanhou apresentações nas quais combinaram questionários, análises acústicas e medições fisiológicas para entender se o sentimento de conexão entre espectadores altera a apreciação do espetáculo.

A origem

Desde a infância apaixonada pelo teatro, Ondine, que também atuou como crítica, passou a questionar as suas próprias reações como espectadora e a lacuna nas pesquisas: havia muitos estudos sobre atores, mas poucos sobre o público, especialmente no teatro. Em

O método

O projeto combinou métodos qualitativos e quantitativos: questionários aplicados aos espectadores, análises acústicas de gravações feitas em diferentes pontos da sala e medidas fisiológicas — ritmos cardíaco e respiratório — para tentar detectar sincronizações entre participantes. Em parceria com a autora e diretora Léa Dubois, a equipe criou duas peças sob medida — uma com tom cômico e outra dramático — encenadas pelos mesmos atores em ordens variadas, para reduzir vieses.

Resultados e desdobramentos

O achado central até agora é que o sentimento de efervescência coletiva — a sensação de estar conectado aos demais espectadores — está fortemente relacionado à apreciação do espetáculo: quanto maior a sensação de conexão, maior a avaliação positiva da apresentação. Já os resultados das análises fisiológicas e acústicas ainda estão em processamento e farão parte do trabalho de pós‑doutorado da pesquisadora.

Além dos resultados empíricos, a tese traz um relato metodológico sobre os desafios de conduzir pesquisa em espaços culturais: é preciso adaptar protocolos, conciliar temporalidades distintas entre ciência e arte e aceitar uma abordagem verdadeiramente colaborativa entre disciplinas.

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