A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) afirmou, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Goiás, em Goiânia, no dia 20 de maio de 2026, que não liberou mineração na Chapada dos Veadeiros. Segundo a pasta, a ação em curso é a revisão obrigatória do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto — documento que organiza o uso do território e disciplina atividades na unidade — e a oficina técnica realizada em Colinas do Sul nos dias 8 e 9 de maio destinou-se exclusivamente aos conselheiros do conselho consultivo, não configurando autorização para exploração mineral.
O que está em discussão
A APA Pouso Alto abrange cerca de 800 mil hectares distribuídos em seis municípios da Chapada dos Veadeiros. Diferentemente de parques nacionais, a unidade permite moradores, propriedades privadas e atividades econômicas compatíveis com a conservação. A Semad explica que o plano vigente, de 2016, deixou a matéria da mineração em aberto por falta de consenso técnico e social, prevendo que qualquer regulamentação específica deveria ser elaborada pela secretaria e submetida ao Conselho Consultivo da APA (Conapa).
Até o momento, a única liberação ocorrida tratou da extração de areia e cascalho para recuperação de estradas vicinais, demanda apresentada por municípios da região. A portaria que tratou desse caso impôs restrições: a extração é proibida em Áreas de Preservação Permanente, reservas legais e em fitofisionomias de campo úmido do Cerrado.
Oficina técnica e desinformação
A realização da oficina técnica sobre mineração, voltada a membros do Conapa, foi confundida nas redes sociais com uma audiência pública, o que gerou questionamentos e divulgação de informações falsas. A Semad reforçou que as propostas debatidas na oficina serão novamente apresentadas à população em nova etapa de consulta pública antes da consolidação final do Plano de Manejo.
“Saíram informações dizendo que a Semad está revisando o Plano de Manejo da APA com o objetivo de liberar a mineração. Não, gente, isso é desinformação!”
Representantes da Agência Nacional de Mineração (ANM) também participaram da audiência e lembraram que a existência de requerimentos minerários na ANM não equivale à autorização de exploração: qualquer atividade minerária depende de licenciamento ambiental junto ao órgão competente.
Propostas e proteção
Entre os encaminhamentos da oficina técnica, destaca-se a proposta de proibição expressa de minerais metálicos — como ouro, manganês e terras raras — e de fertilizantes minerais dentro da APA Pouso Alto, independentemente de destinação. A Semad avalia que essa medida representaria avanço em relação ao plano atual, que deixava o tema em aberto.
Principais desafios na Chapada
Além da questão minerária, a secretaria aponta problemas já existentes na região que a revisão do plano precisa enfrentar: loteamentos irregulares, parcelamento do solo, empreendimentos turísticos disfarçados de pousadas e pressão sobre recursos hídricos. O subsecretário de Licenciamento, Fiscalização e Controle Ambiental da Semad, Robson Disarz, afirmou que esses temas serão objeto de oficinas técnicas específicas com o Conapa ainda neste ano.
A Semad informou também que a APA Pouso Alto é uma das principais áreas de atuação de fiscalização ambiental do estado, com atuação constante no combate ao desmatamento e aos incêndios florestais. A pasta vem ampliando investimentos em prevenção e combate ao fogo e executa programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) voltados à conservação da vegetação nativa e ao apoio a brigadistas voluntários comunitários.
Segundo a secretaria, o processo de revisão do Plano de Manejo segue etapas: consultas públicas locais, oficinas técnicas com o Conapa (seguindo metodologia do ICMBio) e nova rodada de reuniões abertas antes da consolidação do documento. A orientação é que o debate seja baseado em dados, participação social e respeito às comunidades locais, prevenindo que informações distorcidas prejudiquem a construção coletiva do novo plano.



1. A superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Emergências Ambientais da Semad, Zilma Alves Maia, durante a audiência na Assembleia Legislativa (Foto: Divulgação). 2. Membros da Semad em plenária: à direita, Robson Disarz, subsecretário de Licenciamento, Fiscalização e Controle Ambiental, e outros conselheiros presentes à audiência (Foto: Divulgação). 3. Painel e integrantes da mesa da audiência pública sobre a Chapada dos Veadeiros na Assembleia Legislativa de Goiás (Foto: Divulgação).