Mensagens, documentos e áudios obtidos pelo Intercept Brasil indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, com o banqueiro Daniel Vorcaro a transferência de recursos para financiar o longa biográfico “Dark Horse”. Registros analisados pela reportagem apontam que pelo menos US$ 10,6 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em operações ligadas a um fundo sediado no Texas, enquanto havia previsão de repasses que somariam até US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época).
O que mostram as conversas e documentos
As trocas exibem cobranças por parcelas, cronogramas de desembolso, um comprovante de ordem de pagamento de US$ 2 milhões e áudios em que, segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro pressiona por pagamentos e alerta para o risco de paralisação da produção. Intermediários citados nas conversas incluem o empresário Thiago Miranda, o empresário Fabiano Zettel e políticos do núcleo familiar, segundo os registros apresentados.
Como os pagamentos teriam sido operacionalizados
Segundo os documentos, parte dos repasses teria sido feita pela Entre Investimentos e Participações, que aparece como remetente de transferências ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas e associado à produção internacional do filme. Nos registros societários, o escritório indicado como agente legal do fundo tem ligação a um advogado que aparece também em documentos vinculados a aliados da família Bolsonaro.
Contexto e consequências
O cronograma de pagamentos coincide com a deterioração da situação financeira do Banco Master — controlado por Vorcaro — e com a intensificação da fiscalização das autoridades. Em novembro de 2025, após mensagens que incluem uma cobrança do senador datada de 16 de novembro, Vorcaro foi preso enquanto tentava deixar o país, e o Banco Central determinou a liquidação do banco.
Impacto e desdobramentos
As revelações ampliam as investigações sobre a origem dos recursos usados na produção de “Dark Horse” e suscitam perguntas sobre responsabilidades e possíveis implicações eleitorais e jurídicas, dada a proximidade temporal com a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Autoridades e órgãos de fiscalização foram mencionados em investigações citadas pela reportagem.
Trechos das conversas citados na reportagem incluem a mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.








1. Captura de tela de parte do conjunto de mensagens publicadas pelo Intercept Brasil que registra diálogos e horários trocados entre interlocutores relacionados à produção do filme