O câncer de colo de útero deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 no Brasil, e atualmente provoca mais de 7,2 mil mortes anuais, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Especialistas atribuem o aumento à baixa cobertura do rastreamento por papanicolau, à adesão insuficiente à vacinação contra o HPV e às desigualdades regionais de acesso aos serviços de saúde.
O cenário mostra variação geográfica significativa: o câncer de colo de útero é o segundo mais incidente entre mulheres nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste ocupa a quinta posição. Esses padrões refletem, na avaliação de profissionais da saúde, a combinação entre limitações de serviço, dificuldades de informação e maior vulnerabilidade socioeconômica em determinadas áreas do país.
Atualmente, mais de 7,2 mil mulheres perdem a vida todos os anos em decorrência da doença. A falta de rastreamento oportuno e de vacinação adequada contra o HPV — ambos considerados medidas centrais de prevenção — continua sendo um fator determinante para a mortalidade evitável.
Causas e prevenção
O HPV (papilomavírus humano) é um grupo de vírus associado à maioria dos casos de câncer de colo de útero e também vinculado a tumores em outras partes do corpo. Além do HPV, fatores como tabagismo e uso de anticoncepcionais em determinadas condições podem aumentar o risco, mas a principal barreira apontada pelos especialistas é o acesso insuficiente aos serviços de saúde.
“A mulher que morre de câncer de colo de útero é aquela que nunca foi rastreada. Ela não passou por um exame simples, como o papanicolau (preventivo), disponível gratuitamente no Brasil para mulheres de 25 a 64 anos. As que morrem são, muitas vezes, as invisíveis no sistema de saúde.”
Para o oncologista Dr. Ricardo Caponero, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ampliar a cobertura da vacinação contra o HPV é essencial para reduzir a incidência no futuro. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo de útero tem alto potencial de tratamento eficaz; mesmo em estágios avançados, pode ser controlado com terapia adequada e cuidados paliativos.
“A vacina está disponível nos postos de saúde, mas a procura ainda é insuficiente. Por isso, investir em conscientização e educação é fundamental para ampliar a cobertura e reduzir os casos da doença.”
O tema foi discutido em episódio do programa Brasil ODS, apresentado por Joel Scala com participação de colunistas e apoiado pela Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa busca ampliar o debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 relacionados à saúde e bem‑estar.
O programa vai ao ar às quintas‑feiras no portal do Observatório do Terceiro Setor e às 15h na Rádio Brasil de Fato.
Autoridades em saúde pública e especialistas consultados reforçam que as principais medidas para reduzir mortes por câncer de colo de útero passam por ampliar o acesso e a adesão ao rastreamento com papanicolau, aumentar a cobertura vacinal contra o HPV entre meninas e meninos na faixa recomendada e investir em educação em saúde nas regiões mais vulneráveis.