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A Paixão de Cristo e a justa indignação de Patrick Maia

Jornalista, escritor e espírita Arthur da Paz responde a questionamento feito pelo comediante, ator e músico Patrick Maia, sobre a “impossibilidade” de Deus ter impedido que Jesus fosse crucificado

Jesus, crucificado no filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, filme considerado um documento fiel que narra a história mais popular da história humana. À direita, o ator Patrick Maia. (Montagem: Liras)

Nesta sexta-feira, 3 de abril, o ator Patrick Maia pediu licença em suas redes sociais para dizer que estava assistindo o filme A Paixão de Cristo e manifestar sua incompreensão e indignação quanto ao martírio de Jesus e a suposta “inação” de Deus, frente ao morticínio de seu filho amado. Você poderá assistir o reel dele abaixo.

Eis a íntegra da pergunta que ele gravou e publicou no Instagram:

“Galera, eu tô assistindo a Paixão de Cristo porque hoje é Sexta-feira Santa e faz tempo que eu não via esse filme. E, não para de me seguir não, é uma dúvida real. Não é uma provocação. Me responde, você que é teólogo, que é crente. Tem uma parte ali que Jesus tá orando:

— “Deus, ajuda aí. Me libera disso. Afasta de mim esse cálice, se for possível. Mas se não for possível, que seja feita a Sua vontade.”

Não era possível pra Deus? Deus não conseguiria fazer de outra forma? Ele teria que ver o filho dele morrer? Ele estava obrigado a essa situação? Deus estava obrigado a uma situação? Ele não conseguiria livrar o filho dele daquela situação? É uma pergunta honesta, de uma pessoa que foi 25 anos pra Igreja e nunca entendeu isso.

Deus ficou obrigado a uma lei de sacrifício que ele mesmo criou e obrigou o filho a assumir essa bronca sozinho?”
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A pergunta nos fez refletir. Eis então, nossa resposta feita na forma de comentário, em sua publicação:

Pergunta legítima, e poderosa.

Na visão da Filosofia Espírita, aqui na Terra a maioria somos espíritos comuns em processo evolutivo.

Jesus, entretanto, já era um espírito puro. Mas sentiu as dores, os temores da carne. Na sua dimensão espiritual, ele compreendia a necessidade de se cumprir o seu Desiderato, mas o medo era real. Ele estava na mesma carne que nós, ele não foi feito de outra substância ou elemento da física. Portanto, ninguém que esteja na carne deseja a dor.

Para os espíritos puros, a carne não é nada, até porque “Meu reino não é deste mundo”. Aliás, sair da carne, para um espírito puro que vem em missão, é como o prisioneiro que se liberta de um cárcere pesado.

Jesus nos amava profundamente, sair da carne era se distanciar fisicamente de nós. Ele nos amava tão profundamente, que pediu a Deus que não o afastasse de nós. O cálice de amargura que ele temia, não se resumia ao sangue e ao flagelo da cruz, mas à saudade de um pai/irmão mais velho — extrema e infinitamente amoroso — que, ao pensar que poderia morrer, estaria sendo exilado do nosso convívio que tanto o enchia de amor. 

A carne não é nada. O amor é tudo. Tanto é, que no alto da cruz, ele implora a Deus que nos perdoe, pois ele reconhecia em nós uma profunda ignorância e um longo caminho espiritual (e múltiplas reencarnações ainda sendo necessárias). Portanto, ao se distanciar de nós, seus irmãozinhos mais novos, doíam-lhe no âmago as dores milenares que nossa própria ingenuidade sobre a cosmologia existencial ainda adviria de nos causar. Por tantos e tantos anos.

Cá estamos. 2026. Forçando uns aos outros a engalfinhar numa guerra de proporções globais. E lá do Alto, Jesus certamente pede a Deus o benefício de Sua Divina intervenção.

O livre-arbítrio é dádiva para o progresso espiritual, mas está nele próprio o Código Penal do Universo, especialmente quando nos afasta do caminho que nos leva ao amor.

Sim, Patrick, Deus poderia, pode tudo. Mas não temos tutano suficiente no cérebro para compreender todos os Seus mistérios. E se só olhamos a existência a partir do prisma de uma única vida, como se somente uma vida nos fosse dada, isso diminui Jesus, reduz Deus a um tirano e nos leva a um labirinto filosófico e teológico sem saída. Mas sob o olhar da Reencarnação, visão da qual o próprio Jesus histórico era adepto, então as sombras começam a dissipar-se, e as portas da compreensão abrem suas frestas para que entre a luz em nossa tão acanhada pálpebra espiritual.
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