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Helton Lenine, ícone do jornalismo político em Goiás, morre aos 72 anos

Com extensa trajetória na imprensa goiana e no meio político, Helton Lenine faleceu aos 72 anos nesta semana, marcando o fim de uma carreira dedicada à comunicação, à análise política e à defesa da liberdade de expressão, deixando uma ampla contribuição para o jornalismo regional

Helton Lenine, ícone do jornalismo político em Goiás, morre aos 72 anos

Helton Lenine, um dos nomes mais marcantes do jornalismo político em Goiás, faleceu aos 72 anos, nesta quinta-feira (2 de abril), na capital goiana. Com uma trajetória que se estendeu por redações, emissoras de rádio e órgãos de comunicação institucional, Lenine foi uma figura central na narrativa política do estado por décadas. Seu falecimento, causado por complicações de saúde, representa uma perda irreparável para o jornalismo local e para o legado da análise política independente.

Ao longo de décadas, Helton Lenine construiu uma reputação rara: a de repórter que conhecia profundamente os bastidores do poder sem jamais perder de vista o interesse do leitor. Trabalhou em veículos como Diário da Manhã, O Popular e Jornal Opção. Sempre associado à cobertura política, à leitura fina dos fatos e à memória prodigiosa sobre personagens, cargos, alianças e movimentos da vida pública goiana.

Na redação, era reconhecido pela agilidade, pela precisão e pela vocação de repórter em tempo integral. No Jornal Opção, onde atuou nos anos 1990, participava das reuniões de pauta com a inquietação de quem queria ir direto ao essencial. Em meio às discussões, resumia sua posição em uma frase que o definia: “Aos fatos”. Era esse espírito que o acompanhava no cotidiano profissional — menos afeito à retórica vazia, mais comprometido com a substância da notícia. No Diário da Manhã onde permaneceu na trincheira por mais de 10 anos, foi editor da editoria de Política & Justiça, talvez o mais longevo do veículo.

Helton Lenine também presidiu o Clube dos Repórteres Políticos de Goiás, posição a partir da qual reforçou a defesa da liberdade de expressão e do papel da imprensa numa sociedade democrática. Tinha trânsito entre diferentes correntes políticas e ideológicas, mas sua fidelidade maior era à informação. Cultivava fontes diversas, conversava com todos e entendia que o jornalista não pode se fechar em trincheiras, sob pena de empobrecer a própria compreensão da realidade.

Essa capacidade de dialogar sem submissão fez dele um profissional ouvido com atenção por políticos de diferentes gerações. O ex-deputado federal Vilmar Rocha o definiu como “um dos mais brilhantes repórteres de sua geração”, lembrando seu olhar agudo para os fatos e sua impressionante familiaridade com a engrenagem da política goiana. Para o deputado federal José Nelto, Helton era daqueles jornalistas que faziam da profissão uma extensão da própria vida: “O que corria no sangue de Lenine? Jornalismo. Ele nasceu para reportar e analisar fatos”.

Entre colegas, a lembrança que permanece é a de um homem bem-humorado, cordial e intensamente ligado ao ofício. Participante ativo de grupos de debate entre repórteres políticos, Helton provocava discussões, animava conversas e mantinha vivo o interesse pelo noticiário, mesmo em tempos de crescente radicalização. Não era adepto da política do ódio. Preferia a convivência, a escuta e a circulação franca entre os diversos atores da cena pública.

Sua presença também marcou gerações. Ex-diretor de Redação do jornal e filho de Batista Custódio, o jornalista Arthur da Paz lamentou a perda com emoção: “A partida de Helton Lenine me comoveu profundamente. Trabalhei 10 anos junto a ele na redação do Diário da Manhã. Era de fácil convívio. Era bom chegar para um dia de trabalho, e lá já estava ele, com a editoria de Política & Justiça pronta”. Em outro trecho, Arthur acrescentou: “Poucas mortes me comovem. Esta me orvalhou o coração”.

Mais do que um analista da política, Helton Lenine foi um profissional que ajudou a formar a cultura do jornalismo político em Goiás. Pertencia à linhagem dos repórteres que compreendiam a notícia como serviço público, e não como espetáculo; como compromisso com os fatos, e não com facções; como exercício de inteligência, memória e responsabilidade.

Sua morte encerra uma presença humana e profissional de grande relevo na imprensa goiana. Seu exemplo, porém, permanece. Na lembrança dos colegas, no respeito das fontes, na admiração dos leitores e no repertório dos que aprenderam com ele, Helton Lenine seguirá vivo como um dos repórteres que melhor compreenderam a política de Goiás — e que melhor souberam traduzi-la para a sociedade.

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