Mais de 700 mil goianos sem acesso ao gás de cozinha: um quadro alarmante
Um levantamento divulgado recentemente pelo Jornal Opção revela que mais de 700 mil habitantes de Goiás não têm acesso ao gás de cozinha, o que corresponde a uma parcela significativa da população do estado. A ausência desse recurso essencial leva milhares de famílias a utilizarem biomassa — lenha, carvão e outros combustíveis sólidos — para cozinhar, expondo-se a sérias implicações à saúde e ao meio ambiente.
O alerta ganha força quando relacionado ao dado divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta que a poluição causada pela queima de biomassa foi responsável por cerca de 2,9 milhões de mortes em 2021. As consequências vão muito além dos lares afetados, refletindo um problema estrutural mais profundo que envolve desigualdade social, distribuição de recursos e políticas públicas insuficientes.
Contexto histórico e desafios de acesso
A crise energética enfrentada por uma parcela vulnerável da população goiana não é um caso isolado no Brasil. Historicamente, o acesso ao gás de cozinha — item essencial para garantir alimentação preparada de forma segura e prática — tem sido um marcador de desigualdade social. Em 2021, o preço do botijão de gás chegou a consumir quase um quinto do salário mínimo, tornando-se inacessível para muitas famílias de baixa renda.
Ainda em anos recentes, iniciativas nacionais, como o auxílio gás, tentaram mitigar os impactos da alta dos preços. Contudo, a cobertura desses programas não tem sido suficiente para atender a todos os que precisam, especialmente em estados do Centro-Oeste, como Goiás, onde áreas rurais e periféricas apresentam maior vulnerabilidade.
A falta de acesso ao gás é emblemática de um sistema desigual que deixa milhões de brasileiros à margem das condições mínimas para uma vida digna. Famílias que dependem da queima de lenha, por exemplo, enfrentam desafios como o tempo extra dedicado à coleta, os riscos à saúde respiratória e a ameaça de acidentes domésticos.
Impactos na saúde e no meio ambiente
A queima de biomassa em ambientes domésticos tem consequências que transcendem o uso cotidiano. De acordo com especialistas em saúde pública, a exposição continuada aos poluentes gerados por lenha e carvão pode causar doenças respiratórias graves, como bronquite crônica, asma e até câncer de pulmão.
O impacto ambiental também é expressivo. Ao depender de lenha como fonte de energia, famílias contribuem para o desmatamento e a degradação dos ecossistemas locais, intensificando problemas já graves em um país que enfrenta desafios relacionados à conservação ambiental. A soma desses fatores revela um ciclo de vulnerabilidade que não é apenas social, mas também ambiental e econômico.
O que pode ser feito?
A complexidade do problema exige respostas multifacetadas. Especialistas defendem a ampliação de programas de transferência de renda, como o auxílio gás, com maior alcance e eficiência na identificação das famílias necessitadas. Além disso, políticas que incentivem o uso de energias renováveis e alternativas sustentáveis devem ser priorizadas.
O papel das empresas do setor energético também é crucial. Estratégias para reduzir os preços do gás podem ser acompanhadas de parcerias com governos locais para subsidiar o consumo em áreas de maior carência. A inclusão social, por outro lado, deve ser compreendida como uma condição básica para assegurar que famílias vulneráveis não tenham de escolher entre alimentar-se ou adoecer.
Por sua vez, a sociedade civil pode desempenhar um papel importante na fiscalização e no engajamento. Movimentos que denunciem a desigualdade no acesso ao gás e reforcem a importância de ações concretas têm potencial para pressionar os tomadores de decisão a agir com maior rapidez e assertividade.
Conclusão
O levantamento que evidencia a grave situação de mais de 700 mil goianos sem acesso ao gás de cozinha não pode ser ignorado. É um reflexo direto das desigualdades estruturais que ainda permeiam a sociedade brasileira. Garantir o acesso ao gás é mais do que uma questão de dignidade humana — é uma necessidade urgente para preservar vidas e assegurar sustentabilidade ambiental.
A realidade exposta exige não apenas reflexão, mas ação. Entre os desafios econômicos e sociais que o Brasil enfrenta, o caso de Goiás reforça que o combate à desigualdade deve ser uma prioridade. Afinal, como aponta o slogan do Liras da Liberdade: influência inteligente é buscar soluções reais todos os dias.