O empresário e ex-governador Wilder Morais recebeu nesta semana, em Brasília, o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para lançar sua pré-candidatura ao governo de Goiás em 2026. O encontro ocorreu em um almoço informal na residência oficial conhecida como 'Papudinha', apelido dado ao espaço utilizado por Bolsonaro nos arredores da capital federal. A reunião sinaliza a tentativa de reorganização do bolsonarismo no estado, buscando fortalecer sua presença política após os resultados das eleições de 2022.
Wilder, que já ocupou uma cadeira no Senado e é conhecido por suas ligações com o setor empresarial, apresentou-se como um nome capaz de unificar as forças de direita e os apoiadores do ex-presidente em Goiás. Segundo fontes próximas às negociações, a decisão do ex-presidente em apoiar o ex-senador foi estratégica, diante da busca por uma liderança regional que possa enfrentar candidatos governistas em eventual embate futuro.
Historicamente, Goiás tem desempenhado um papel central no tabuleiro político do Brasil, sendo um reduto eleitoral estratégico para a direita conservadora. A popularidade de Bolsonaro no estado, que manteve altos índices de aprovação mesmo após o término de seu mandato, reforça a importância de consolidar uma candidatura alinhada aos valores do bolsonarismo. Para Wilder Morais, o apoio do ex-presidente é um divisor de águas, já que ele pretende capitalizar essa chancela para amplificar sua força política, especialmente entre o eleitorado rural e evangélico, bases sólidas do bolsonarismo no Centro-Oeste.
Desde o final de sua gestão, Jair Bolsonaro tem buscado reativar sua influência política por meio de alianças estratégicas em estados-chave. Apesar das recentes derrotas eleitorais do bolsonarismo em algumas regiões do país, Goiás segue como um cenário favorável para o avanço de sua agenda. Esse alinhamento visa não apenas fortalecer Wilder Morais como figura política, mas também consolidar a narrativa bolsonarista em torno de uma oposição vigorosa ao governo federal comandado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outro fator importante na equação política goiana é o papel dos partidos e alianças que podem compor o arco de apoio à candidatura de Wilder. Até o momento, o PL, partido de Bolsonaro, lidera as negociações para dar sustentação ao projeto político no estado. No entanto, a consolidação dessa pré-candidatura ainda dependerá de articulações com demais forças de direita que disputam espaço em Goiás, como os grupos ligados ao governador Ronaldo Caiado, líder com histórico de proximidade e afastamento pontual do bolsonarismo.
Especialistas apontam que a movimentação é também uma tentativa de revitalizar a figura de Bolsonaro no cenário nacional. A escolha de nomes regionais para disputar governos estaduais é vista como uma estratégia para manter viva a base de apoio do ex-presidente, sobretudo diante de sua atuação mais discreta após deixar o Palácio do Planalto. Para Wilder Morais, o desafio será posicionar-se como um candidato competitivo em uma eleição que promete ser acirrada, ao mesmo tempo em que busca atrair novos aliados e consolidar os já existentes.
No cenário político atual, Goiás parece estar diante de uma nova polarização. A candidatura de Wilder Morais, com o respaldo de Bolsonaro, poderá enfrentar nomes aliados ao governo federal ou a outras correntes conservadoras. Em paralelo, a sociedade goiana mostra-se atenta às movimentações políticas, demonstrando ceticismo em relação à retórica ideológica e maior exigência por projetos concretos e de desenvolvimento econômico para o estado.
A dinâmica que se desenrola em Goiás reflete, em muitos aspectos, o cenário político nacional. O fortalecimento de lideranças regionais alinhadas a projetos nacionais, como o bolsonarismo, indica que a disputa de 2026 será marcada pela reprodução de debates que polarizaram eleições recentes. Nesse contexto, figuras como Wilder Morais ganham relevância ao se apresentarem como alternativas locais para representar esses movimentos no campo estadual.
Resta agora acompanhar os desdobramentos das articulações políticas nos próximos meses. A confirmação de alianças, o fortalecimento de bases eleitorais e a definição de estratégias de campanha serão cruciais para o sucesso da pré-candidatura de Wilder Morais. Por ora, o aval de Bolsonaro é um trunfo significativo, mas que exigirá esforços coordenados para traduzir o apoio em votos nas urnas.