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Trabalho precário amplia abstenção nas eleições francesas

Pesquisa publicada na Revue française de science politique mostra que, após as eleições legislativas e europeias de 2024 na França, a precarização do emprego está mais associada ao afastamento e à abstenção política do que à radicalização do voto; trabalhadores instáveis se abstêm mais

Ilustração de mão colocando figura humana estilizada em urna de votação sobre fundo vermelho
Ilustração conceitual sobre voto e abstenção: imagem que acompanha análise sobre como a precariedade do trabalho na França se relaciona com maior afastamento político entre trabalhadores instáveis. Foto: Boris Zhitkov/Getty Images

Um estudo de Tristan Haute et al., publicado na Revue française de science politique (vol. 75, 2025/3) a partir de uma pesquisa por questionário realizada após as eleições legislativas e europeias de 2024, na França, indica que a precarização do emprego favorece atitudes de retirada e desinteresse pela vida política, refletidas em maiores níveis de abstenção entre trabalhadores com vínculos laborais instáveis.

A análise, que cruzou variáveis como estabilidade no emprego, autonomia no trabalho e qualidade das relações com a hierarquia, identifica três perfis principais: os “instables” — que combinam instabilidade contratual e relações de trabalho degradadas; os “stables éprouvé·e·s” — empregados com relativa estabilidade, mas que descrevem o trabalho como fisicamente e psicologicamente extenuante; e os “autonomes reconnu·e·s” — cuja atividade é caracterizada por autonomia e reconhecimento social.

No plano eleitoral, os pesquisadores observam que os “instables” apresentam taxas de abstenção significativamente superiores às dos outros grupos e uma propensão maior a votar no Rassemblement National. Pelo contrário, o voto em Ensemble é mais prevalente entre os inquiridos que gozam de estabilidade no emprego. O voto no NFP (Nouveau Front populaire) mostrou-se pouco correlacionado com as condições de trabalho, sendo apenas ligeiramente mais frequente entre os “stables éprouvé·e·s”.

Os autores concluem que a expansão da precariedade tende sobretudo a alimentar atitudes de afastamento e apatia política, em vez de provocar, por si só, uma generalizada “radicalização” do eleitorado em direção ao Rassemblement National.

Fonte: Tristan Haute et al., “Travail et comportement électoral. Le cas des élections législatives et européennes de 2024 en France”, Revue française de science politique, vol. 75, 2025/3.

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