Vivemos uma degradação dos valores humanos escancarada pelo envolvimento de celebridades, hollywoodianas ou não, em comportamentos atrozes contra a infância e as mulheres. Mas a pergunta que fica é: como não nos tornarmos iscas de ouro para o mundo digital?
A codependência se instala justamente aí: no bombardeamento constante de arquivos, revelações, rostos outrora imaculados, e que agora habitam o "porão do porão". Então, você sabia que assistir a isso nos leva à repetição da repetição? Para Freud, repetir é o contrário de recordar e elaborar, e não é preguiça ou desleixo consigo mesmo(a) — é compulsão, uma tentativa inconsciente de reviver dores antigas, e reprimi-las, falhando sempre. Então, saiba que quanto mais você repete o gesto tóxico de assistir, mais o naturaliza em sua mente. E o paradoxo é que o mesmo mecanismo vale para a repetição saudável. Nesse sentido, estamos no bojo de uma guerra entre o psiquismo e a máquina mortífera da indústria global.
Pensemos juntos: estamos assistindo à ascensão da queda do imperialismo ocidental — ou à queda de sua ascensão? Esse império não conseguiu se despedir gloriosamente... despede-se podre. E nós, preparados para ver mais atrocidades, até quando sustentaremos o olhar?
Não pense que esse tipo de assédio vai te livrar de seu tédio...
Veja bem, não importa quanto tempo durará, pois este tipo de imperialismo não se baseia apenas em domínio territorial; mas encontrou no controle sobre tecnologias e plataformas digitais o novo campo de ação, alimentando o consumismo impulsivo e compulsivo desenfreado. O que não podemos é tratar tudo isso como “o novo normal”. Respiremos fundo. Troquemos os algoritmos – eles não são neutros – pelas cartas ou por uma caminhada calma ao luar. Afinal, seu incômodo vende, sabia? Hesite diante de uma face imaculada, e a máquina compila e te entrega o dobro de rostos. Like that. Refresh. Repeat.
É urgente filtrarmos um pouco mais nossas buscas. Mesmo assim, a esgotosfera midiática global continuará jogando suas “chamas de esperança” — você continuará “pegando fogo”, tendendo a se perder na labareda do caos epsteiniano-imperial.
Hoje o tempo amanheceu ensolarado em nossa cidade; se fosse o contrário haveria quem insistisse em pintar um céu em meio às cinzas – vamos ser assim?
Tenha um bom dia. E um ótimo Carnaval — como quem dribla, por alguns dias, o real que insiste em sobrar.