Uma equipe de pesquisadores poloneses aplicou a 180 jovens adultos um protocolo de reescrita de memórias de críticas parentais que reduziu, em média, a sensação de medo do fracasso e as respostas fisiológicas associadas — segundo artigo publicado em Frontiers in Psychology.
Como foi o experimento
Os participantes, todos com forte receio de fracassar, foram convidados a evocar uma crítica marcante recebida na infância. Os pesquisadores criaram gravações em áudio do episódio evocadas pelos próprios participantes e testaram três variações: a gravação original; uma reescrita em que uma terceira pessoa intervém e acalma a cena; e a escuta das duas gravações com intervalo de dez minutos entre elas.
Medições e acompanhamento
Para avaliar o efeito das intervenções, a equipe combinou questionários psicométricos e marcadores fisiológicos — entre os quais sudorese e salivação — aplicados imediatamente e novamente três e seis meses após o protocolo.
Resultados
Os autores não encontraram efeitos significativos sobre transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou depressão. No entanto, a maioria dos participantes apresentou redução duradoura da angústia emocional diante de situações de fracasso e diminuição das reações fisiológicas associadas ao lembrança do episódio.
O segundo protocolo — a reescrita da lembrança com a intervenção calma e de apoio de um terceiro — mostrou-se o mais eficaz a longo prazo. Os pesquisadores apontam que o fator decisivo parece ser a surpresa: quando a crítica esperada é substituída por um apoio inesperado, ocorre uma reconfiguração emocional que atenua a ansiedade.
Implicações e limites
Os resultados sugerem que técnicas de imagética e reescrita de memórias podem ser uma via promissora para reduzir o medo do fracasso em pessoas sem quadros clínicos graves, mas os autores alertam que os procedimentos testados não pretendem substituir tratamentos especializados para TEPT ou depressão.
Fonte: Julia Bączek et al., “Imagine yourself as a little girl… – efficacy and psychophysiology of imagery techniques targeting adverse autobiographical childhood experiences – multi-arm randomised controlled trial”, Frontiers in Psychology, vol. 16, 2026.