Ouvi recentemente que "pessoas com TDAH têm personalidade mais forte por serem especiais". Apesar de bem-intencionada, é uma visão perigosa... E falo de cadeira.
O TDAH não é um traço de personalidade "bonitinho", mas um transtorno neurodesenvolvimental que afeta 5% a 8% dos brasileiros. Romantizá-lo não minimiza o sofrimento real: há comprometimento da memória, baixa autoestima e maior vulnerabilidade a dependências químicas ou relacionamentos abusivos.
Em adolescentes, quando não são tratados, o risco se torna ainda maior. Na busca impulsiva de dopamina, conseguem alívio químico imediato, e isso pode parecer uma solução rápida para sintomas angustiantes. No caminho oposto – para a eficácia –, está o diagnóstico precoce seguido de tratamento adequado, como a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC); e a medicação – quando indicada.
A TCC oferece ferramentas concretas, como organização através de listas, e gestão do tempo mediante técnicas focadas na atenção plena e no controle da impulsividade.
Não somos "especiais", ou temos "superpoderes", por termos TDAH – confesso que preferiria, se fosse tão fácil assim... Enfrentamos desafios reais diários. Você não está sendo fraco porque busca ajuda – eu retomei o volante de minha própria vida, vamos juntos nessa?
Como muito bem lembra o filósofo Raul Portella, é preciso "buscar um porquê para sua vida". Um recado de coração: antes de qualquer diagnóstico, devemos nos respeitar e nos cuidar. É um direito. Nós merecemos!