Um relatório conjunto publicado em 13 de maio de 2026 pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes (UNDRR), pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) e pela Sciences Po alerta que o mundo não está preparado para uma ‘pandemia digital’. O estudo afirma que uma sequência de falhas em cascata nas infraestruturas digitais pode inviabilizar sistemas de saúde, mercados financeiros e serviços públicos essenciais, afetando regiões inteiras por semanas.
Falhas digitais em cascata
O documento descreve cenários plausíveis nos quais incidentes iniciais — como tempestades solares, ondas de calor ou danos em cabos submarinos — desencadeiam perturbações em cadeia. Entre os impactos previstos estão irregularidades generalizadas nas redes elétricas, sobrecarga de centros de dados e isolamento digital de territórios.
Segundo o relatório, até 89% das interrupções digitais não seriam consequência direta do choque inicial, mas sim do efeito em cadeia entre sistemas. O número de pessoas afetadas por esses efeitos secundários pode chegar a ser até 10 vezes maior do que o total inicialmente exposto ao incidente original.
Interdependência digital e geográfica
No centro dos riscos apontados está a densa interdependência entre infraestruturas — redes elétricas, cabos submarinos, satélites e centros de dados — que sustentam os sistemas digitais globais. A essa interdependência técnica soma-se a dimensão geográfica: 5,5 bilhões de pessoas utilizam a internet em uma malha mundial de infraestruturas que alcança todos os continentes.
Essa ligação intensa oferece vantagens econômicas e sociais, mas também cria vetores de propagação de falhas entre setores e países, ampliando o alcance e a duração das interrupções.
Reforço de capacidades
O relatório conclui que muitos países não dispõem de medidas suficientes para enfrentar falhas digitais em grande escala, sejam elas intencionais — como cortes de energia ou rupturas de cabos —, sejam não intencionais, decorrentes de desastres naturais ou falhas internas.
As agências ressaltam a necessidade de uma resposta coletiva, com reforço de normas internacionais, manutenção de capacidades analógicas de intervenção e maior coordenação e interoperabilidade entre sistemas digitais. Segundo o documento, o risco de uma catástrofe digital não é uma questão de “se”, mas de “quando”.
