A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 13 de maio de 2026 as Estatísticas Mundiais de Saúde, que mostram quedas em algumas doenças infecciosas, mas também retrocessos e desigualdades — com aumento da malária, altas taxas de violência contra mulheres e estimativa de 22,1 milhões de mortes associadas à Covid‑19 entre 2020 e 2023.
O relatório aponta tendências divergentes: entre 2010 e 2024 as novas infecções por HIV caíram cerca de 40% e a taxa de incidência da tuberculose diminuiu 12% desde 2015. Em contrapartida, a incidência global de malária subiu 8,5% desde 2015, distanciando-se das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030.
Progresso desigual e fatores de risco
A publicação destaca que as melhorias são frágeis e distribuídas de forma desigual entre países e populações. A prevalência global de anemia entre mulheres em idade reprodutiva aumentou para 30,7% em 2023 (comparado a 2012) e o sobrepeso em crianças menores de 5 anos atingiu 5,5% em 2024. O uso de tabaco e o consumo de álcool caíram desde 2010, mas permanecem apenas ligeiramente abaixo das metas globais.
Violência contra mulheres
A violência contra mulheres segue generalizada: em 2023 estima‑se que 24,7% das mulheres e meninas de 15 anos ou mais sofreram violência por parceiro íntimo, e 8,2% foram vítimas de violência sexual por não parceiros — números que provavelmente são subestimados devido à subnotificação.
“Nas últimas duas décadas, compromissos nacionais e multilaterais sustentados proporcionaram avanços significativos na saúde global: reduções expressivas na mortalidade materna e infantil, na incidência de HIV e tuberculose, no uso de tabaco e no consumo de álcool”, disse o diretor‑geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. Ele observou, porém, que o progresso em direção aos ODS relacionados à saúde é insuficiente, desigual e cada vez mais vulnerável a choques sistêmicos.
Mortalidade materna, vacinas e cobertura de saúde
Desde 2000, a taxa de mortalidade materna caiu cerca de 40% e a mortalidade em menores de 5 anos caiu 51%, mas o ritmo de melhoria desacelerou e a taxa materna em 2023 permanece quase três vezes acima da meta global. A cobertura de serviços de saúde avançou lentamente: o índice global subiu de 68 para 71 entre 2015 e 2023, um ritmo mais lento que o observado entre 2000 e 2015.
Cerca de um quarto da população mundial enfrenta dificuldades financeiras devido a gastos diretos em saúde, e estima‑se que 1,6 bilhão de pessoas viviam em pobreza ou foram empurradas para ela por despesas médicas até 2022. A cobertura de quatro vacinas infantis permanece abaixo da meta de 90%, com lacunas especialmente na segunda dose da vacina contra o sarampo.
Impacto da Covid‑19
O relatório estima 22,1 milhões de mortes associadas à pandemia de Covid‑19 entre 2020 e 2023, número aproximadamente três vezes maior do que as 7 milhões de mortes oficialmente registradas. A mortalidade foi mais alta em 2021 (10,4 milhões) e caiu para 3,3 milhões em 2023. Padrões de mortalidade variaram por sexo e idade: homens apresentaram mortalidade consistentemente maior que mulheres, e o risco de morte aumentou drasticamente entre pessoas com 85 anos ou mais.
Resumo de indicadores-chave
| Indicador | Período | Variação / Valor |
|---|---|---|
| Novas infecções por HIV | 2010–2024 | −40% |
| Incidência de tuberculose | Desde 2015 | −12% |
| Incidência de malária | Desde 2015 | +8,5% |
| Anemia em mulheres em idade reprodutiva | 2023 vs 2012 | 30,7% (prevalência em 2023) |
| Sobrepeso em crianças <5 anos | 2024 | 5,5% |
| Mortes associadas à Covid‑19 | 2020–2023 | 22,1 milhões (estimadas) |
| Índice de cobertura de saúde | 2015–2023 | 68 → 71 |
| Pessoas empurradas para pobreza por despesas médicas | Até 2022 | 1,6 bilhão |
| Violência por parceiro íntimo (mulheres ≥15 anos) | 2023 | 24,7% |
| Violência sexual por não parceiros (mulheres) | 2023 | 8,2% |
As Estatísticas Mundiais de Saúde de 2026 consolidam indicadores relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e servem como referência anual para acompanhar tendências e lacunas em saúde global.
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.


1. Comprimidos em uma mão: a cobertura de tratamento e o acesso a medicamentos são pontos centrais nas lacunas apontadas pelo relatório. 2. Paciente em leito hospitalar: o documento registra impacto desproporcional da pandemia e o aumento da mortalidade entre idosos.