Em relatório divulgado em 15 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou que pouches de nicotina — sachês colocados entre gengiva e lábio — vêm sendo promovidos por embalagens coloridas, influenciadores nas redes sociais e patrocínios em eventos, contribuindo para o aumento rápido do consumo entre adolescentes e jovens no mundo todo.
Crescimento e lacunas na regulação
Segundo a OMS, as vendas no varejo de pouches ultrapassaram 23 bilhões de unidades em 2024 e o mercado global foi estimado em quase US$7 bilhões em 2025. A agência afirma que a regulação não acompanhou a expansão: cerca de 160 países ainda não têm regras específicas para esses produtos, enquanto apenas 16 proíbem totalmente a venda e 32 os regulam de alguma forma.
Riscos à saúde
A OMS ressaltou que a nicotina é altamente viciante e particularmente prejudicial para crianças, adolescentes e adultos jovens, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. A exposição à nicotina na adolescência pode afetar a atenção, a aprendizagem e o desenvolvimento cerebral e aumentar a probabilidade de dependência a longo prazo e uso futuro de outros produtos com nicotina e tabaco. A agência também destacou a associação entre uso de nicotina e maior risco cardiovascular.
Táticas de marketing voltadas a jovens
O relatório descreve como fabricantes usam estratégias para atrair consumidores mais jovens, incluindo embalagem discreta e colorida, sabores doces como *bubble gum* e *gummy bears*, marketing com influenciadores, patrocínio de festivais e anúncios que vendem um estilo de vida aspiracional. A OMS alerta ainda que algumas embalagens imitam doces conhecidos, elevando o risco de atração de crianças.
Chamado à ação
Especialistas da OMS pedem que os governos adotem regulações abrangentes para todos os produtos contendo nicotina, incluindo pouches. As medidas recomendadas no relatório incluem:
- proibição ou restrição rigorosa de sabores;
- proibição de publicidade, patrocínio e promoção, inclusive nas redes sociais;
- controles rigorosos de verificação de idade e de venda no varejo;
- pacotes neutros e alertas de saúde claros;
- limites para o teor de nicotina;
- aumento de impostos para reduzir a acessibilidade;
- monitoramento de tendências de uso e táticas de marketing da indústria;
- fortalecimento da fiscalização e aplicação das regras.
Em declarações citadas no relatório, Vinayak Prasad, chefe da Tobacco Free Initiative da OMS, afirmou que é preciso “agir agora com salvaguardas fortes e baseadas em evidências”. Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes de Saúde da OMS, acrescentou que os produtos são frequentemente projetados para gerar dependência e que há necessidade urgente de proteger os jovens da manipulação da indústria.