BRASÍLIA — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou, na terça-feira (19 de maio de 2026), o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de “irmão em Cristo” durante o lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia à Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília, e comentou uma suposta conversão religiosa do magistrado ao tratar da situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No discurso, Michelle citou narrativa bíblica ao comparar a transformação de Saulo em Paulo e afirmou: “Nosso ministro, vou profetizar aqui porque Deus transformou Saulo em Paulo, nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele (Jair Bolsonaro) está com aquele cabelinho, cortadinho, jogadinho, e aqueles olhos azuis brilhantes”. O vídeo do pronunciamento foi publicado por uma apoiadora nas redes sociais.
Após o evento, a ex-primeira-dama compartilhou no Instagram uma mensagem sobre perdão, citando trechos bíblicos: “Aprendi com a Palavra de Deus que o perdão liberta o coração” e “A justiça pertence a Deus, não a nós”, segundo a publicação.
Fontes públicas registram que, na semana anterior, Michelle cumprimentou Moraes com um abraço durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Em março, a abertura de diálogo entre os dois foi apontada como determinante para que o ministro autorizasse o cumprimento da pena do ex-presidente em regime domiciliar; antes dessa decisão, Michelle o recebeu em seu gabinete no Supremo. Moraes foi o relator da ação sobre a trama golpista que resultou na condenação do ex-presidente.
Ao final do evento, jornalistas perguntaram a Michelle sobre a divulgação de diálogos atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro, que citariam pedidos de recursos ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente. A ex-primeira-dama respondeu: “(Sobre) Flávio, você tem que perguntar pra ele”, recusando-se a avaliar publicamente o impacto da crise na campanha do senador.
O episódio ocorre em meio a movimentações políticas e discussões públicas sobre decisões judiciais e relações pessoais entre autoridades. Diante de menções religiosas envolvendo um ministro do STF e de referências a processos e decisões judiciais, a reportagem registra possíveis implicações institucionais e políticas que podem motivar novas reações públicas.