Goiânia foi escolhida como uma das primeiras cidades do Brasil a participar dos testes iniciais do censo histórico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), destinado exclusivamente a mapear a população em situação de rua. O projeto, anunciado oficialmente na última semana, representa um marco na tentativa de construir um retrato fiel dessa realidade social pouco abordada em levantamentos anteriores, e que hoje carece de políticas públicas efetivas para mitigar vulnerabilidades.
A iniciativa do Ibge ocorre em meio a uma crescente pressão de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, que há anos reivindicam dados mais robustos e confiáveis sobre a população em situação de rua. De acordo com o instituto, os testes terão início nos próximos meses e visam resolver desafios metodológicos antes da aplicação em escala nacional do censo. Goiânia se destaca, juntamente com outras cidades brasileiras, por ser um dos locais pioneiros da fase inicial, o que reafirma sua relevância no cenário nacional como espaço de experimentação em questões sociais e urbanas.
A falta de informações detalhadas sobre as condições de vida da população em situação de rua tem sido um entrave para o desenvolvimento de políticas públicas. Estimativas imprecisas dificultam ações governamentais, especialmente em municípios de médio e grande porte como Goiânia, cuja realidade urbana atrai diferentes perfis populacionais. Segundo especialistas, o censo deve incluir não apenas números, mas também dados sobre saúde, segurança alimentar e acesso a programas de assistência, contribuindo para uma abordagem multidimensional do problema.
Embora o projeto seja um avanço para a compreensão deste fenômeno social, grupos de defesa dos direitos humanos destacam a urgência de medidas concretas. Segundo Regina Maria Silva, membro de uma ONG goiana voltada para a defesa da população em situação de rua,