Participar de grupos se tornou, quase sem perceber, um movimento silencioso entre mulheres. Seja reunindo para jogar beach tênis, participar de viagens exclusivas ou simplesmente ter um respiro em meio a uma rotina estressante, essas conexões não são apenas encontros sociais, são como uma rede de apoio estratégico entre elas.
Mas o que quase ninguém te conta é: fazer parte vai muito além de uma mera “reuniaozinha”. É sobre o que acontece, de forma real, quando você sente que pertence, e percebe que ali não precisa se ajustar o tempo todo para caber.
Em minhas experiências como especialista em comportamento humano e por também fazer parte de alguns grupos seletos, observo que existe um padrão que se repete: mulheres não travam por falta de capacidade. Elas travam por ausência do pertencer.
Ambientes onde não precisam performar. Onde não precisam se adaptar para serem aceitas. Onde podem existir com mais inteireza, sem fragmentar quem são. E é por isso que o pertencimento tem tanto peso. O ponto central não é o grupo em si, mas o que ele desperta: o senso de pertencimento.
Do ponto de vista da neurociência comportamental, e isso aparece muito na prática, pertença não é apenas uma experiência social, é uma necessidade biológica. O cérebro humano responde a isso como um sinal de segurança. Quando esse sinal está presente, há redução de alerta, maior conexão e um efeito direto: mais engajamento, mais troca, mais crescimento.
Isso porque, quando isso acontece, ativam um ciclo quase inevitável: quanto mais você se sente parte, mais você se envolve. Quanto mais você se envolve, mais você cresce. E esse crescimento, quando compartilhado, retroalimenta o próprio grupo. Quando você entra nesse tipo de conexão, deixa de ser espectadora do “eu também quero” para ocupar um lugar de “eu também sou”.
Talvez essa seja uma das razões da crescente busca por grupos seletos, exclusivos e fechados só para mulheres. Porque, no fundo, não é sobre estar em grupos. É sobre, talvez pela primeira vez, realmente pertencer.
Marcela Barros
Especialista em comportamento e estratégias de negócios.