Nos tempos atuais, assistimos à ascensão das esgotosferas: o uso das redes sociais para fantasiar o "justiceiro amoral" ou o "negligente intelectual". Elas funcionam como uma placenta de primeira mão – nutrem e conectam à primeira vista, mas alimentam o feto da embriaguez tóxica, repleta de desinformação agressiva. É um mau uso que reverbera as palavras do ministro Luís Roberto Barroso sobre certos discursos no Supremo: "com pitadas de psicopatia". Tudo isso, em busca de relevância.
Vivemos a robotização de tudo o que é humano. A tensão ofuscou o prazer compartilhado. A pressão, a simples respiração. O controle e a manipulação desbancaram o respeito. Esse é o ethos que prolifera nas redes, onde o exercício democrático-civil cedeu lugar à espetacularização hostil. São "bolhas de ódio" revestidas de um neon líquido e frio – espaços de pertencimento onde a diplomacia sucumbiu à linguagem da agressão.
Será o falso amplexo da esgotosfera um reflexo fiel de nossa sociedade, ou apenas uma mera brecha para testarmos nossas pitadas de psicopatia, protegidos pelo anonimato? Maquiavelismo, narcisismo e psicopatia subclínica florescem ali com frequência alarmante.
De que lado você está? Seja qual for, tenha compaixão por si mesmo: a vida é uma só e vai acabar. Use o silêncio como aliado principal e lance pitadas de amor, tolerância e empatia por todos os cantos. Afinal, o esgoto que mora em você não deve ser vomitado em nós.
É imprescindível elevarmos os debates e compreender, de uma vez por todas: não se argumenta com o ódio. Mudemos o Zeitgeist, rejeitemos o lixo tóxico da desonestidade e semeemos sensatez – cada um de nós com sua própria voz – e honestidade.