A melhor forma de não perder tempo com coisas, pensamentos e pessoas que não são mais importantes para a sua vida é dar tempo ao próprio tempo.
O título desta crônica lírico-filosófica é, no mínimo, instigante, pois geralmente não ouvimos falar sobre “perder tempo” na busca da Paz — ainda mais numa sociedade presentista como a nossa, que nos impõe que as coisas estejam prontas para antes de anteontem. Concordam? Então, vou traçar algumas boas linhas aqui. E vou dar o start de tudo elaborando algumas perguntas que talvez também estejam pairando na cabeça de vocês — fiquem atentas(os)!
Como deveria acontecer isso? Por qual razão eu deveria dar tempo ao Tempo, quando o que mais preciso é ganhar tal Bem para “não ficar para trás” ou por baixo?
Então, penso que o próprio Senhor Tempo responderia assim: “Espere… espere por mim! Eu sou aquele teu médico que te atendeu numa emergência, lembra-se? Respire fundo e reorganize seus pensamentos com a velocidade de uma… tartaruga; contudo, com os olhos de um… caranguejo. Ambos nunca se cansam de caminhar, concordas? Então, continue, mesmo que tenha que olhar para trás por um tempo, pois, para mim, parece que carregas em ti o casco de um grande pesar — há tempos.”
Atenção. Coragem para conquistar a Paz exige Tempo; até porque os fracassos na vida fazem parte da própria Vida, já que vamos todos para o mesmo fim — queira ou não queira… E saber o que te faz fraquejar é lembrar-se de que somos gente — isto é, no mínimo, bem cristão.
Sei que você almeja Paz, e a melhor forma de obter este Bem é quando percebemos que ela realmente nos habita — porque você sente que merece e, somente assim, conseguirá se dar tempo. É assim mesmo: você se dá tempo quando acha que está perdendo… e parte — não se reparte — na busca para reconquistar a tua Paz.
Não queira matar a tua dor — porque tem pressa para ser feliz — em nome da tua Paz. Este Bem maior é conquistado, e não adquirido. Ao invés disso, tolere a frustração de que deve, antes de tudo, compreender-se, aceitar-se, para nunca mais colocar nas mãos dos outros, ou das coisas, a tua Paz. E os antigos já diziam: a pressa é inimiga da perfeição. E eu acrescento: a pressa não é parceira da paz.
Com este texto, despeço-me do jornal e dos leitores. Agradeço ao Arthur e a toda a equipe pela parceria. Permaneço no movimento de dar tempo ao tempo.