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INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

Ciro Nogueira se afunda ainda mais no mar de lama do Banco Master

Polícia Federal divulgou provas que apontam ligação do senador Ciro Nogueira ao esquema do Banco Master — incluindo depósitos, registros de viagens, mensagens e emenda que teria sido redigida pela assessoria do banco — e o caso pode complicar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Todos os caminhos do escândalo do Banco Master apontavam o senador Ciro Nogueira, do Progressistas (PP‑PI), como o principal nome do braço político da quadrilha criminosa de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. No dia 7 de maio de 2026, a situação ficou ainda mais clara depois que a Polícia Federal apresentou provas que, segundo o órgão, incluem marcas de batom encontradas em peças íntimas atribuídas ao parlamentar. O envolvimento de Nogueira, conforme o material divulgado pela PF, é apresentado como contundente e tem potencial para atrapalhar a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Além de patrocinar viagens ao exterior e disponibilizar imóveis de luxo, Vorcaro teria pago um mensalão para Nogueira que, segundo a investigação, variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. A Polícia Federal aponta que o senador teria recebido, ao todo, cerca de R$ 18 milhões por meio de depósitos em conta de empresa ligada a ele e operações de compra e venda envolvendo outra empresa do grupo Master.

O banqueiro pagou caro e, de acordo com a investigação, o senador teria retribuído politicamente. A PF afirma que a assessoria do banco redigiu a chamada “emenda Master”; o senador, diz a investigação, recebeu o texto em envelope e o reproduziu integralmente ao apresentar a proposta no Congresso — sem alterações. A investigação afirma dispor de comprovantes bancários, registros de viagens e mensagens trocadas que sustentariam a narrativa.

O esforço do bolsonarismo e de parte da imprensa em transformar o Master em um “escândalo suprapartidário” ficou ainda mais constrangedor. É verdade que o caso envolve atores de diversos partidos e instituições, mas a espinha dorsal política da quadrilha é, segundo as evidências apontadas pela PF, essencialmente alinhada ao bolsonarismo. Não foi por acaso que a quadrilha teria feito doações milionárias a campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

‘Alma do governo’

Ciro Nogueira não é um aliado qualquer do bolsonarismo. Trata‑se de um dos maiores caciques do Centrão, o homem que garantiu uma base de apoio ao governo Bolsonaro no Congresso. Foi ministro‑chefe da Casa Civil e, nas palavras do ex‑presidente Bolsonaro, recebeu dele “a alma do governo”. Hoje é, segundo integrantes do bolsonarismo, alguém que Flávio Bolsonaro considera com “todas as credenciais” para ser vice em uma chapa presidencial.

Com o nome desse importante senador atrelado ao escândalo, Flávio Bolsonaro fez o que seu grupo costuma fazer: manifestou indignação pública com as denúncias. Em vídeo, o senador manifestou revolta — mesmo diante de acusações que recolocam figuras centrais do bolsonarismo no epicentro do caso Master.

Com a cara de quem foi denunciado por enriquecimento ilícito ligado a “rachadinhas” e que hoje prega ética na vida pública, Flávio omitiu o nome de Nogueira, pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e sugeriu investigação sobre eventuais ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia com o caso. As suspeitas envolvendo outros grupos existem, mas, até o momento, o material divulgado pela PF concentra indícios que apontam fortemente para a atuação de atores associados ao bolsonarismo.

Com Ciro Nogueira sendo publicamente questionado, Flávio Bolsonaro terá de repensar seus planos. Não há mais espaço para tê‑lo ao lado como vice nem como articulador principal da campanha: Nogueira passou a ser visto como peso morto, sem condições políticas ou morais para conduzir o núcleo da pré‑candidatura bolsonarista. O escândalo do Master tende a ser um dos temas centrais da campanha e pode se agravar à medida que as investigações avancem.

Uma longa fila

Além de Ciro Nogueira, há uma fila de aliados bolsonaristas que, conforme o contexto político e as apurações, podem virar alvos da PF. Nomes com relevo no Centrão e na base de apoio ao bolsonarismo estão sob pressão política — entre eles, segundo o debate público, dirigentes partidários e governantes estaduais que temem desdobramentos da investigação.

Parece contraditório, mas Flávio Bolsonaro pretende manter narrativa de candidato implacável contra a corrupção. O caso Master, no entanto, fragiliza essa imagem: se a farra da corrupção apontada pela investigação nasceu e cresceu sob a leniência do Banco Central durante a gestão bolsonarista e com proteção política de aliados, será difícil para o bolsonarismo transformar o episódio em um problema do campo adversário.

Será esse o fim da linha para Ciro Nogueira? O senador, cujas digitais apareceram em vários escândalos de Brasília na última década, prometeu publicamente que renunciaria ao mandato caso surgissem denúncias comprovadas. Juridicamente, a comprovação formal ainda depende de etapas processuais; politicamente, após a divulgação das provas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, Nogueira já se vê fragilizado e pode considerar renunciar.

‘Guerra espiritual’

Em 2022, o bolsonarista Magno Malta soltou acusações graves sem provas e precisou se retratar. Agora, o próprio Malta é acusado de agressão a uma técnica de enfermagem; além do depoimento da vítima, há testemunha e laudo do Instituto Médico Legal (IML), segundo o que foi divulgado. Diante da repercussão, o senador disse ter tido um mal‑súbito e afirmou viver uma “guerra espiritual”, buscando deslocar o debate para o campo religioso.

Magno Malta, pastor evangélico, tenta transformar a narrativa para o plano das crenças; no terreno laico e judicial, porém, a acusação segue sendo investigada e conta com elementos que merecem apuração rigorosa.

Golpista e fora da casinha

O parajornalista Paulo Figueiredo voltou a espalhar teorias conspiratórias durante a visita do presidente Lula aos Estados Unidos. Figueiredo sugeriu que a designação do PCC e do CV como organizações narcoterroristas poderia ser usada como moeda de pressão internacional e aventou que terras raras teriam sido oferecidas em troca de apoio. As informações circuladas por ele não se sustentaram frente ao relato oficial das chefias de Estado: a reunião entre Lula e Trump foi descrita como amistosa e o tema das terras raras foi tratado por Lula sob a ótica da soberania nacional.

Perdido e sem rumo, Figueiredo reproduziu narrativas alinhadas a movimentos externos ao debate público brasileiro, mas sem provas que confirmem suas conjecturas. Resta aguardar os próximos capítulos das investigações e da disputa narrativa que marca o ano eleitoral.

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