Brunê, cantora e compositora radicada em Goiânia, estreia neste domingo (10) no 31º Goiânia Noise Festival com um show inédito às 16h30 no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A apresentação, considerada pela artista uma virada de chave, traz nova formação de banda, cenário assinado por Belkiss Brasil, estética de Eduardo França e repertório que antecipa o álbum de estreia em produção.
Brunê consolidou-se como um dos nomes mais promissores da nova música brasileira independente ao unir folk, pop e MPB em uma sonoridade marcada pela delicadeza melancólica e pela força interpretativa. Nascida em Brasília e radicada em Goiânia desde 2018, a artista — cantora, compositora e produtora musical — já ultrapassa 300 mil reproduções nas plataformas digitais e vem expandindo sua presença pelo país, levando seus shows a estados como Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. Seu trabalho ganhou destaque em playlists editoriais do Spotify e em veículos especializados, além de render premiações em festivais de composição e parcerias com nomes relevantes da cena alternativa brasileira.
Entre os traços mais singulares de sua identidade artística está o uso do iodelei (yodel), técnica vocal que alterna voz de peito e voz de cabeça e confere personalidade rara às suas canções. Artista LGBTQIA+ e PcD, Brunê também transforma experiências pessoais em matéria sensível para composições como “Guria”, “Malmequer” e “Nada É Eterno”, transitando entre vulnerabilidade emocional e potência estética. Após o lançamento do EP colaborativo “Love Songs Vol. 1”, a cantora agora prepara seu aguardado álbum de estreia, previsto para o primeiro semestre de 2027, projeto que deve consolidar definitivamente sua assinatura autoral dentro da música contemporânea brasileira.
Leia a entrevista completa!
Entrevista
1. Liras — Brunê, você começou a lançar seus trabalhos autorais em 2020 e, desde então, vem consolidando uma identidade muito própria na música independente. O que mudou em você, como artista e compositora, desse primeiro momento até agora?
Brunê — A principal mudança, para mim, de 2020 para cá, foi justamente o papel do público na minha arte. Comecei a lançar meus primeiros trabalhos na pandemia, então foi um processo muito interno, pessoal e solitário. Ao longo dos anos, o público passou a ser um elemento da minha obra. Passei a ansiar pelos shows presenciais, por cantar junto das pessoas. Isso moldou muitas características do que eu faço e do que eu escrevo: sempre penso em como o público vai reagir, em como tornar aquilo interativo, criar uma conexão, um bate‑bola com as pessoas. Senti amadurecimento na escrita e na composição. Hoje me sinto mais dona da própria arte, mais confiante e mais ousada para explorar outros caminhos, mesmo saindo da zona de conforto, segura de que ainda sou eu e de que o público pode acompanhar esse processo.
2. Liras — Seu trabalho atravessa o folk, o pop, o rock e a nova MPB, mas mantém uma assinatura lírica e melancólica. Como você define hoje a sonoridade da Brunê?
Brunê — Tenho dificuldade com nomenclaturas por natureza, então minha música não cabe em uma caixinha. É um amontoado de elementos e atravessamentos de estilos, mas o corpo principal do meu trabalho é o folk. O violão é o instrumento carro‑chefe que anda de mãos dadas com a voz e a letra, ambientando o ouvinte. Vejo como um folk contemporâneo — um folk brasileiro — com elementos modernos: percussão brasileira, traços de pop na produção e na voz. É difícil rotular, então eu diria: um folk contemporâneo com um pouco de Brunê nele.
3. Liras — “Nada É Eterno” abordou isolamento, nascimento, morte, efemeridade e meio ambiente. Quando você compõe, a canção nasce mais da observação do mundo ou de uma necessidade íntima de transformar sentimento em linguagem?
Brunê — “Nada É Eterno” foi a primeira música que lancei, seis anos atrás, e ainda hoje vejo semelhanças com meu processo atual. Escrevi essa canção na pandemia, sobre o processo de isolamento e a percepção do eu em sociedade, sobre efemeridade e nossa relação com o meio ambiente. Embora esses temas possam ser observados externamente, meu processo é muito interno: nasce de uma necessidade de elaborar algo meu e traduzi‑lo em metáforas e um enredo com o qual outras pessoas possam se identificar. Isso continua sendo minha maneira de compor.
4. Liras — Você já levou sua música a diferentes cenas e estados do Brasil. O que essas viagens e encontros com públicos diversos ensinaram sobre a recepção da sua obra?
Brunê — Tenho sempre uma grata surpresa com a receptividade que meu trabalho encontra nas cidades por onde passo. A internet amplia muito o alcance, e a música chega a lugares que a gente não imagina. Mas, pessoalmente, sinto que meu trabalho foi feito para ser tocado ao vivo: as pessoas entendem melhor quando eu olho nos olhos. Existe uma conexão real nos shows; vejo nos rostos das pessoas a compreensão da obra. O show é o momento mais glorioso do artista: entregar em mãos aquilo que sabe fazer. Em todos os lugares por onde passei, a recepção foi calorosa. Subir no palco é minha parte favorita do trabalho.
5. Liras — Além das canções, sua presença de palco é um elemento importante. O que você considera essencial para que um show seja uma experiência verdadeira para quem assiste?
Brunê — Acredito que várias condições são essenciais, mas a principal é o artista estar conectado com a própria obra. Quando isso acontece, o show é autêntico e o público percebe. Também importa que o artista tenha tempo, espaço e conforto para viver a apresentação ali, junto com o público. Para mim, é fundamental a letra e o espaço físico do palco, para que eu possa usar o corpo e narrar a história da melhor forma. A presença de palco é imprescindível para emocionar e criar conexão com quem conhece a música pela primeira vez.
6. Liras — Tocar no Goiânia Noise, um dos eventos mais simbólicos da música independente brasileira, tem um peso especial para uma artista goiana. O que essa apresentação representa na sua trajetória e o que você deseja entregar ao público nesse show?
Brunê — É uma honra enorme estar no line‑up do Goiânia Noise, ao lado de artistas que admiro e com quem cresci. Como artista independente, o festival é uma grande vitrine e um passo importante. Estou criando um show novo e inédito, com músicas do meu álbum de estreia, formação nova de banda, estética renovada e tudo pensado com muito carinho para o público. Estou ansiosa e nervosa para ver a recepção; espero que seja uma estreia que permita levar esse trabalho a outros festivais e a outros espaços.
Ficha técnica e backstage
- Data: domingo, 10 de maio de 2026 — 16h30
- Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer, Goiânia/GO — Palco Secundário / Esplanada (externo)
- Formação (banda): Brunê (voz); Douglas Sá (violão e arranjos); Arthur Ornelas (teclados, synths e produção musical); Renato Taborda (baixo); Muryllo Pacheco (bateria)
- Produção musical e engenharia de som: Arthur Ornelas
- Cenário: Belkiss Brasil
- Motion / arte: Eduardo França
- Cinegrafista / making of: Lucca Brasil
- Produção executiva: Lucas Coqueiro Scalia
- Fotografia: Belkiss Brasil e Tharso Nojosa; fotos de apoio: Lucca Brasil
Lançamentos e links oficiais

Brunê em foto de divulgação para o Goiânia Noise. Foto: Belkiss Brasil; Tharso Nojosa; Lucca Brasil