Sumário
Um salão cheio de vozes e memórias
O salão histórico da Casa de Altamiro Moura Pacheco esteve lotado logo cedo. Desde as 9h da manhã, acadêmicos, convidados e autoridades ocuparam as mesas cobertas de branco, compondo um cenário de partilha cultural que uniu literatura, artes visuais e memória. A presidente da Academia Goianiense de Letras (AGnL), Marislei Espindula Brasileiro, conduziu a programação com firmeza e entusiasmo.
O projeto “Trajetória, voz e memória” foi contemplado pelo edital de manutenção de espaços culturais nº 01/2024”, com fomento da Secult - Goiás, Política Nacional Aldir Blanc - PNAB/Ministério da Cultura.

Exposição de arte
A abertura foi marcada pela presença das artes plásticas. Rosy Cardoso apresentou sua série Lata d’Água na Cabeça, um conjunto de telas que homenageia a força feminina em suas dimensões de dor, resiliência e superação. As figuras femininas de traços vigorosos, expostas ao redor do salão, dialogaram silenciosamente com os discursos que se seguiram.
Já Carol Borges expôs aquarelas e pinturas em acrílico dedicadas ao patrimônio arquitetônico de Goiânia, com destaque para o art déco. Sua pesquisa, que mescla técnica artística e compromisso cívico, trouxe à tona a necessidade urgente de preservar a memória urbana, em tempos de transformações aceleradas da cidade.
As duas mostras criaram um ambiente de diálogo entre palavra e imagem, transformando o salão em uma verdadeira galeria de memória e sensibilidade.
Homenagem a Licínio Leal Barbosa
O segundo momento foi de emoção e reverência. O acadêmico Abílio Wolney Aires Neto proferiu o panegírico em memória do jurista, professor e acadêmico Licínio Leal Barbosa, falecido em maio deste ano. Destacou sua atuação como diretor da Faculdade de Direito da UFG, criminalista de prestígio e autor de mais de 20 obras jurídicas e maçônicas.
Entre os relatos familiares, destacou-se a lembrança de sua dedicação à formação de gerações de juristas e à vida cultural do Estado de Goiás. A homenagem foi recebida com emoção pela esposa e irmãs de Licínio, que ressaltaram o legado humano e intelectual deixado por ele.

Projeto Patronos
O acadêmico Luiz Otávio Soares, ocupante da cadeira 21, apresentou sua pesquisa sobre o patrono Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Engenheiro, escritor, fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e da Academia Goiana de Letras, Santos Azevedo foi também autor de obras de referência, entre elas o Anuário Histórico, Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás.
Sua produção intelectual, pouco lembrada fora dos círculos acadêmicos, foi resgatada com riqueza de detalhes por Soares. O público contribuiu com registros históricos e memórias adicionais, incluindo a curiosa referência ao impacto do dicionário de Santos Azevedo na obra do compositor Chico Buarque, lembrança que arrancou sorrisos e comentários entre os presentes.
Novos marcos institucionais
Um dos anúncios mais aguardados da manhã foi feito pela presidente Marislei Brasileiro: a aquisição de uma sala própria para a AGnL no Edifício Itamarati, em Goiânia. Após duas décadas de existência, a instituição finalmente terá endereço jurídico definitivo.
O feito foi possível graças à venda de um veículo doado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, em ato viabilizado na gestão do desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga, presente ao evento.
Marislei aproveitou para divulgar três projetos em andamento:
- a Revista Patronos, que reunirá os perfis de todos os homenageados das 40 cadeiras;
- um e-book histórico sobre a trajetória da Academia desde sua fundação, em 2005;
- e a produção de um curta-metragem documental que registrará a memória da entidade.
Encerramento e caminhada cultural
O encontro terminou com a convocação de novos membros correspondentes e um convite simbólico: uma caminhada cultural até a nova sede no Edifício Itamarati, localizado a uma quadra da Casa Altamiro. O gesto representou mais do que um deslocamento físico: marcou a transição para uma nova etapa da instituição.

Presentes
Entre as personalidades que prestigiaram o evento estiveram o presidente da Egresso/UFG, Eliomar Pires; representantes do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; da Academia Feminina de Letras; e da Associação Goiana de Imprensa. Familiares e amigos do professor Licínio Barbosa também se fizeram presentes, compondo um público numeroso e diversificado.
Chave de ouro
Ao unir homenagem, memória, arte e conquista institucional em uma só manhã, a Academia Goianiense de Letras reafirmou seu papel como guardiã da cultura goiana. O salão cheio, as obras expostas e os discursos solenes compuseram um retrato raro: o da vitalidade de uma instituição que, ao completar 20 anos, projeta-se para o futuro com raízes ainda mais firmes.