Um estudo publicado em 2025 por Ian A. Anderson e Wendy Wood na revista Scientific Reports, com 1.204 usuários do Instagram nos Estados Unidos, encontrou que a autopercepção de dependência nas redes sociais é muito mais comum do que indicadores clínicos: 18% dos entrevistados se disseram parcialmente dependentes (5% declararam‑se totalmente dependentes), enquanto apenas 2% apresentaram sinais clínicos consistentes com dependência. Os autores também mostraram que uma atividade de introspecção aumentou o número de pessoas que se consideraram “viciadas” e reduziu o sentimento de autoeficácia, além de aumentar a culpabilização.
Os pesquisadores partiram da hipótese de que discursos midiáticos e educativos que rotulam usos intensos como “vício” podem confundir hábito com compulsão. Segundo a definição usada no estudo, hábito envolve usos regulares, por vezes automáticos e intensos, porém compatíveis com outras atividades e sem perturbar o equilíbrio cotidiano; compulsão implica desejos irrepressíveis, sintomas de abstinência e prejuízo das atividades diárias.
Para testar os efeitos da autopercepção, os autores submeteram parte dos participantes a uma tarefa de reflexão sobre seus próprios hábitos digitais. O exercício teve efeito paradoxal: aumentou relatos de dependência sem que houvesse mudança nos sinais clínicos observáveis, e diminuiu a confiança dos indivíduos em sua capacidade de controlar o uso, além de elevar sentimentos de culpa. Os autores concluem que alertas excessivos e referências rotineiras a “dependência” podem, na prática, ser contraproducentes.
Especialistas citados no trabalho sugerem que campanhas de saúde pública e coberturas jornalísticas evitem o uso indiscriminado do termo “vício” ao descrever uso intenso de redes sociais, privilegiando mensagens que informem riscos concretos sem subestimar a capacidade de autorregulação dos usuários.
Fonte: Ian A. Anderson e Wendy Wood, “Overestimates of social media addiction are common but costly”, Scientific Reports, vol. 15, 2025/1.