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UFG mobiliza Goiás com campanha contra violência à mulher

Durante o mês de março, Universidade Federal de Goiás promove ações de conscientização, acolhimento e criação de políticas públicas para enfrentar o feminicídio e proteger vítimas de violência doméstica, destacando o papel das instituições na transformação social

Universidade Federal de Goiás
Reprodução

UFG lança campanha “Pela Vida de Todas” para combater violência contra mulheres

A Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciou o lançamento da campanha “Pela Vida de Todas”, iniciativa que estará em curso ao longo do mês de março, com ações voltadas ao enfrentamento à violência contra as mulheres. A campanha busca conscientizar a sociedade goiana sobre os impactos do feminicídio e implementar medidas institucionais para o acolhimento e proteção das vítimas. As atividades serão realizadas no campus da universidade e em espaços públicos da região, ressaltando a importância de unir esforços no combate a essa grave questão social.

A decisão da UFG de reforçar suas políticas de enfrentamento à violência contra mulheres reflete um cenário nacional preocupante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelam que o Brasil registrou, em média, um caso de feminicídio a cada sete horas em 2022. Goiás, por sua vez, figura entre os estados com números alarmantes, evidenciando a urgência de mobilizações como esta.

A campanha também busca oferecer suporte às vítimas por meio de iniciativas de acolhimento psicológico e jurídico. A universidade anunciou, além das ações de conscientização, a criação de políticas institucionais que visem proteger as mulheres que frequentam ou trabalham na UFG. Segundo a reitora Angelita Pereira de Lima, “a luta contra o feminicídio precisa do comprometimento de todas as esferas: acadêmica, governamental e social”. Esse posicionamento demonstra o compromisso da UFG em atuar como um agente multiplicador de transformações.

Entre as principais ações divulgadas pela instituição estão palestras, seminários e rodas de conversa com especialistas em direito, saúde mental e políticas públicas. A programação também incluirá intervenções culturais, como peças teatrais e exposições artísticas, destacando narrativas femininas e sua resiliência frente à violência. “Queremos provocar reflexões, não apenas dentro da universidade, mas em toda a sociedade goiana. A educação é uma ferramenta poderosa para combater o machismo estrutural que perpetua esses crimes”, afirma a vice-reitora Adriana dos Santos Almeida.

O envolvimento da academia no debate contra a violência doméstica não é novidade, mas iniciativas como a da UFG ganham especial relevância no cenário atual. Segundo especialistas, a universidade, como espaço de produção de saberes e inovação, tem papel estratégico na promoção de discussões pautadas em evidências e no desenvolvimento de propostas que possam ser replicadas em outros contextos. Além disso, a UFG reforça a articulação com entidades civis e órgãos governamentais para ampliar o alcance de suas ações.

O contexto histórico do feminicídio no Brasil remonta a traços culturais profundamente arraigados de desigualdade de gênero e violência patriarcal. As legislações, como a Lei do Feminicídio (2015) e a Lei Maria da Penha (2006), trouxeram avanços significativos no combate a esse tipo de crime. No entanto, especialistas alertam que ainda há um longo caminho a ser percorrido para garantir a proteção das mulheres em ambientes públicos e privados. Nesse sentido, iniciativas locais, como a da UFG, atuam como catalisadores para mudanças mais amplas.

Paralelamente às ações da universidade, o governo estadual de Goiás também tem intensificado suas estratégias para enfrentar o feminicídio. O lançamento da campanha “Pela Vida de Todas” reforça a necessidade de articulação entre políticas públicas e iniciativas institucionais. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, o estado registrou um aumento nos pedidos de medida protetiva em 2023, indicando maior conscientização das vítimas sobre os mecanismos legais disponíveis.

Outro destaque da campanha é o impacto gerado na formação de futuros profissionais. Como instituição de ensino e pesquisa, a UFG tem a capacidade de inserir o debate sobre violência de gênero em diferentes áreas do conhecimento, preparando profissionais para lidar com a questão em seus respectivos campos de atuação. “Precisamos formar agentes capazes de reconhecer os sinais da violência e atuar preventivamente”, pontua a professora de Direito Penal da UFG, Cláudia Maria Soares.

A sociedade civil também tem desempenhado um papel fundamental no engajamento às iniciativas da universidade. Coletivos feministas, organizações comunitárias e lideranças locais têm se unido à campanha para amplificar sua mensagem e promover o diálogo nos bairros e comunidades de Goiânia e região. A participação social é vista como essencial para combater os estigmas relacionados à violência contra mulheres e oferecer redes de apoio às vítimas.

A campanha “Pela Vida de Todas” reflete o compromisso da UFG em transformar a realidade de muitas mulheres que vivem sob o risco de violência, destacando o papel das instituições de ensino na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em um momento de crescente conscientização sobre questões de gênero, a iniciativa surge como uma resposta necessária e urgente a um problema que afeta vidas e famílias em todo o Brasil.

Ao longo do mês de março, as atividades promovidas pela UFG prometem ampliar o diálogo, fortalecer as redes de apoio e preparar novos caminhos para o enfrentamento do feminicídio e de outras formas de violência contra mulheres. A expectativa é que a campanha inspire outras instituições e setores da sociedade a promoverem iniciativas semelhantes, consolidando o papel dos diferentes agentes sociais na luta por igualdade e justiça.

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