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TRE-GO e UFG lançam aplicativo contra fake news antes das eleições de 2026

Em parceria histórica, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás e a Universidade Federal de Goiás ampliaram a ferramenta GuaIA, agora disponível em formato de aplicativo para uso popular, visando combater a desinformação em um momento crítico para a democracia brasileira

Tribunal Regional Eleitoral de Goiás e Universidade Federal de Goiás
Reprodução

TRE-GO e UFG lançam aplicativo contra fake news antes das eleições de 2026

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) e a Universidade Federal de Goiás (UFG) deram um passo significativo na luta contra a desinformação ao ampliar a atuação da ferramenta GuaIA. Agora disponível em formato de aplicativo para a população, o projeto promete ser um dos pilares no combate às fake news durante as próximas eleições gerais de 2026. A iniciativa, que foi apresentada oficialmente esta semana em Goiânia, já está sendo analisada para replicação por outros tribunais regionais eleitorais e pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ferramenta GuaIA, inicialmente desenvolvida como um sistema baseado em inteligência artificial para monitoramento e verificação de informações, ganhou notoriedade desde sua implementação em Goiás. Com o aumento da disseminação de notícias falsas e ataques informacionais, especialmente em períodos eleitorais, o projeto revelou-se não apenas necessário, mas essencial para fortalecer o processo democrático e garantir o direito à informação de qualidade.

Segundo o presidente do TRE-GO, Daniel Abreu, a criação do aplicativo amplia o alcance do GuaIA, permitindo que cidadãos comuns façam uso direto da tecnologia para verificar conteúdos suspeitos. “O combate à desinformação precisa ser algo coletivo, onde cada eleitor se torna um vigilante da veracidade e da ética. O aplicativo possibilita que todos nós passemos a participar desse processo de forma ativa e responsável”, afirmou em coletiva de imprensa durante o lançamento.

Uma parceria de vanguarda

A colaboração entre o TRE-GO e a UFG é uma das mais emblemáticas na relação entre instituições públicas em Goiás, especialmente pelo uso pioneiro da inteligência artificial em um contexto eleitoral. Desde o início do projeto, os pesquisadores da área de tecnologia da universidade trabalharam de forma integrada com grupos especializados do tribunal, garantindo que a ferramenta fosse ao mesmo tempo robusta e acessível.

Luiza Medeiros, coordenadora técnica do projeto na UFG, destacou que a tecnologia por trás do GuaIA foi projetada para identificar padrões de desinformação em plataformas sociais, notícias e mensagens instantâneas. “A inteligência artificial que desenvolvemos utiliza redes neurais para analisar o conteúdo rapidamente. Mas o fator humano, o discernimento crítico do usuário, é indispensável, e o aplicativo torna essa interação mais direta”, explicou.

O impacto da desinformação nos processos eleitorais

Desde as eleições de 2018, o Brasil tem sido marcado por episódios de disseminação massiva de fake news, fenômeno que afeta não apenas campanhas políticas, mas também a confiança nos resultados eleitorais. A questão ganhou tanta relevância que motivou ações coordenadas por órgãos do sistema judicial, como o TSE e os TREs, além de pesquisas acadêmicas que buscam soluções práticas para mitigar os efeitos nocivos da desinformação.

Em 2022, por exemplo, o TSE implementou medidas como acordos com plataformas digitais para remover conteúdos falsos e dar maior transparência às campanhas. No entanto, a velocidade com que as fake news se propagam e sua capacidade de influenciar o eleitorado mostraram que as ações preventivas e reativas ainda não são suficientes. O desenvolvimento de tecnologias como o GuaIA oferece uma resposta mais avançada, focada na identificação rápida e na conscientização popular.

Como funciona o aplicativo GuaIA?

O aplicativo GuaIA, que já está disponível para download nos sistemas Android e iOS, permite que os usuários façam o upload de links, imagens ou textos que considerem suspeitos. Em questão de segundos, a inteligência artificial analisa o material e aponta se há indícios de desinformação, além de fornecer dados sobre a fonte original e possíveis correções. O sistema também envia alertas sobre informações verificadas por agências especializadas e mostra estatísticas de conteúdos reportados por outros usuários.

Outro diferencial do aplicativo é a integração com um banco de dados extenso, alimentado diariamente por parcerias com agências de checagem e veículos de comunicação. “Isso cria uma rede onde os cidadãos têm acesso direto a informações verificadas, ao mesmo tempo em que contribuem para a construção dessa rede ao denunciar conteúdos falsos”, explicou Medeiros.

O desafio da aceitação pública

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas apontam que o sucesso de iniciativas como o GuaIA depende da adesão da população e da confiança nos sistemas criados. Em um cenário onde a polarização política é evidente, convencer o público sobre a imparcialidade da ferramenta pode ser tão desafiador quanto combater as fake news em si.

A socióloga e pesquisadora de comunicação política, Renata Albuquerque, pondera: “Há uma resistência de parte da população em confiar em ferramentas vinculadas a instituições públicas. O TRE-GO e a UFG precisarão investir em campanhas educativas e transparência para garantir que o aplicativo seja visto como uma solução legítima e eficiente, não como uma ferramenta enviesada.”

O lançamento do aplicativo também levanta questões éticas e legais relacionadas ao uso de dados privados, especialmente porque a análise de conteúdos pode envolver informações pessoais e sensíveis. Para garantir a segurança e privacidade dos usuários, o TRE-GO informou que o sistema foi desenvolvido em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Um modelo para o país

A experiência goiana com a GuaIA tem despertado o interesse de outros tribunais e universidades. De acordo com fontes do TSE, especialistas já estão estudando a possibilidade de integrar o modelo à estrutura nacional de combate à desinformação. “O que estamos vendo em Goiás é um exemplo de como tecnologia e engajamento cívico podem caminhar juntos para enfrentar os desafios da era da informação. Certamente, há muito a aprender” refletiu o ministro do TSE, Ricardo Neves, durante um seminário realizado em Brasília.

Além disso, o projeto também abre portas para debates sobre o papel que as instituições públicas devem desempenhar na regulação de conteúdo online. Embora seja consenso que as fake news precisam ser combatidas, especialistas alertam para os perigos de censura ou excessos regulatórios que poderiam limitar a liberdade de expressão, um dos pilares da democracia.

Um futuro promissor

A parceria entre o TRE-GO e a UFG marca uma nova fase na busca por soluções inovadoras para problemas que ameaçam a integridade das democracias contemporâneas. Às vésperas das eleições de 2026, o aplicativo GuaIA surge como uma esperança diante do desafio cada vez mais complexo da desinformação, colocando Goiás como modelo de inovação e responsabilidade cívica para o Brasil.

Embora ainda seja cedo para medir os resultados práticos da ferramenta, o que já se percebe é a importância de iniciativas que envolvem tecnologia, educação e engajamento social como meios de proteger o direito à informação e fomentar uma democracia mais sólida. Como bem afirma o slogan do projeto, “A verdade está ao alcance de todos”.

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