Na madrugada desta segunda-feira, 23 de outubro de 2023, um acidente trágico envolvendo um ônibus de trabalhadores rurais deixou seis mortos na BR-153, rodovia que corta Goiás e é conhecida como uma das principais vias de escoamento econômico do estado. O incidente aconteceu nas proximidades do município de Morrinhos, causando comoção e evidenciando os riscos enfrentados diariamente por trabalhadores do campo.
De acordo com informações preliminares divulgadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 2h da manhã. O ônibus, que transportava dezenas de trabalhadores em direção ao norte do estado, colidiu com um veículo de carga que circulava na via. Com o impacto, seis pessoas perderam a vida no local, enquanto outras foram socorridas com ferimentos variados e encaminhadas para hospitais da região.
A PRF informou que investigações iniciais apontam para uma possível falha técnica no ônibus, além de condições adversas na pista, que estava molhada devido às chuvas. “Estamos apurando as circunstâncias, mas já sabemos que o veículo transportava mais pessoas do que o permitido, o que pode ter agravado as consequências do acidente”, declarou um representante da corporação.
A tragédia escancara problemas recorrentes nas rodovias brasileiras. A BR-153, uma das mais movimentadas do Centro-Oeste, sofre com problemas estruturais que vão desde a falta de manutenção até a ausência de sinalização adequada em determinados trechos. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), essa rodovia tem histórico de acidentes graves e continua entre as que apresentam maior índice de mortalidade no país.
Além das condições da rodovia, o episódio também traz à tona questões relacionadas à segurança e dignidade no transporte de trabalhadores rurais. Muitos desses trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas e utilizam meios de transporte precários ou em situações irregulares para atender às demandas econômicas do agronegócio. “São vidas que vivem à mercê de condições inadequadas de trabalho e transporte, e isso precisa ser encarado de frente”, analisa o sociólogo Gustavo Almeida, especializado em questões agrárias.
Segundo o Ministério da Infraestrutura, que administra boa parte das rodovias federais, estão em curso projetos de concessão e melhorias na BR-153 que prometem maior segurança nos próximos anos. Contudo, especialistas são céticos quanto à eficácia dessas medidas se elas não incorporarem políticas de fiscalização mais rígidas para veículos e empregadores.
Os sindicatos e associações ligadas ao setor agrícola também emitiram notas de pesar pelas vítimas. Em comunicado oficial, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Goiás (Fetag-GO) destacou: “É inadmissível que, em pleno século XXI, trabalhadores rurais ainda estejam submetidos a condições tão precárias. Essa tragédia não pode ser em vão; deve servir como alerta para mudanças urgentes”.
O impacto do acidente transcende as estatísticas, afetando diretamente famílias e comunidades inteiras que dependem desses trabalhadores. Em Morrinhos, um clima de luto tomou conta da cidade, com moradores organizando vigílias e prestando solidariedade às famílias das vítimas. Divaldo Gonçalves, amigo de uma das vítimas, lamentou: “Eles saíram de casa para trabalhar, para garantir o sustento das suas famílias, e não voltarão mais. É uma dor que não tem explicação.”
Este episódio reforça a necessidade de debates mais amplos sobre direitos do trabalhador no campo e infraestrutura nacional. Especialistas defendem que o Brasil avance na regulamentação dos transportes destinados a esses trabalhadores, exigindo veículos mais seguros e adequados. Além disso, urge uma reforma em sua malha viária, priorizando investimentos em pontos críticos como a BR-153.
As autoridades locais e estaduais começaram a se mobilizar para dar assistência às vítimas e suas famílias. O governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança Pública, prometeu apoio aos envolvidos e já iniciou uma força-tarefa investigativa para apurar responsabilidades. Até o fechamento desta reportagem, as identidades das vítimas ainda não foram oficialmente divulgadas.
Enquanto isso, a sociedade civil e setores organizados clamam por respostas. A tragédia na BR-153 é um alerta diante de práticas e negligências que seguem ceifando vidas. No trajeto entre a segurança viária e a dignidade no trabalho, o Brasil tem um longo percurso a percorrer.