O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) determinou, na noite de sexta-feira (15 de maio de 2026), a suspensão total por 90 dias do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia — que reuniu mais de 30 mil inscritos para 622 vagas — e deu prazo de dois dias para que o presidente da Casa, Romário Policarpo, cumpra a determinação do relator Humberto Aidar.
A decisão, inicialmente divulgada pela TV Anhanguera e posteriormente confirmada pela própria Câmara, ocorre após relatório técnico da Secretaria de Controle Externo de Atos de Pessoal do TCM apontar indícios de violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. O relatório cita, como foco das suspeitas, a aprovação de um servidor com vínculo profissional com a banca organizadora.
O certame foi organizado pelo Instituto Verbena, ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG), e vinha sendo apontado como um dos mais aguardados do estado. Até então havia expectativa de suspensão apenas para o cargo de administrador, mas a decisão do TCM determinou a suspensão integral do concurso pelo prazo inicial de três meses, enquanto as investigações avançam.
Segundo o relatório técnico mencionado, o candidato que ficou em primeiro lugar para o cargo de administrador é Luã Lírio de Souza, cujo cargo oferece remuneração superior a R$ 10 mil; o documento afirma que ele possuía vínculo profissional com a banca organizadora durante o período de preparação do certame.
A Câmara Municipal informou ter sido oficialmente comunicada e declarou que irá respeitar a determinação do conselheiro Humberto Aidar. O TCM-GO informou que as apurações seguirão para esclarecimento dos fatos e eventual apresentação de novos elementos ao processo.
O que muda para candidatos
Com a suspensão integral, todas as etapas do concurso ficam temporariamente paralisadas até que o TCM conclua as análises e adote providências subsequentes. Não há, até o momento, determinação pública sobre reaplicação de provas, convocações ou ressarcimento de taxas.
Próximos passos
O relator Humberto Aidar estabeleceu prazo de dois dias para cumprimento imediato da medida. O TCM deverá aprofundar as investigações e publicar eventuais decisões complementares; a Câmara e o Instituto Verbena podem apresentar esclarecimentos ao tribunal no curso do processo.