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INFLUÊNCIA INTELIGENTE TODO DIA

Só olho o óleo

Entre o óleo que falta e a ira que sobra.

*imagem feita com inteligência artificial.

Olho. No verbo mesmo.

A pronúncia é quase a mesma daquilo que os Estados Unidos tanto procuram pelo mundo: óleo.

Eu nunca entendi o porquê de, em Portugal, chamam o país de Irão.

Irão aonde? Será que é esse erro de português que Oswald de Andrade comentou?

Eu só olho.

Olho o preço das coisas e penso: desse jeito, os preços irão levar os brasileiros à loucura. Ou, como diriam em Portugal, Irão.

Já queimaram nosso café uma vez, e nem foi do jeito bom. O que será que nos aguarda?

E lá está ele de novo: o Irã. Ou Irão. Ou apenas a ira.

De soja. De milho. De cozinha. De combustível.

Fico pensando no Donald. Não o pato, mas o do cabelo. No desenho, o pato quer a Margarida. Neste mundo aqui, o Donald real talvez queira o óleo de Margarida também.

Ou será que só o de girassol serve?

Eu olho os discursos inflamados de ódio, ou seria de óleo?

Lembro-me de que, quando estudava, achava que as guerras estavam muito no passado. Muito distantes.

Pois é. Acho que estou vivendo no futuro do pretérito, tudo o que vai acontecer parece que se repete.

Irã, Irão, ira - tem de tudo… só não tem óleo para o resto do mundo.

E quando essa guerra acabar — porque todas acabam, de um jeito ou de outro — sempre existe a esperança de que termine como tantas coisas terminam por aqui: em pizza.

O problema é que, dependendo de como terminar, talvez não sobre nem azeite para temperar.

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