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Servidores da Ebserh no Hospital das Clínicas da UFG entram em greve

Paralisação integra movimento nacional em oito estados; trabalhadores reivindicam reajuste salarial, melhoria em direitos trabalhistas e preservação de conquistas. Atendimento segue com apenas 30% do efetivo para os casos considerados essenciais

Servidores da Ebserh no Hospital das Clínicas da UFG entram em greve
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que atuam no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), em Goiânia, paralisaram suas atividades nesta terça-feira (7). A greve, que atinge ao menos oito estados brasileiros, mobiliza a categoria em busca de reajustes salariais e melhorias em direitos trabalhistas. De acordo com os organizadores do movimento, os atendimentos no HC estão sendo mantidos com o mínimo de 30% do efetivo, priorizando casos de emergência e urgência.

A paralisação faz parte de um movimento nacional articulado por sindicatos e associações que representam os funcionários da Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), responsável pela gestão de hospitais universitários em todo o país. A principal reivindicação do grupo é um reajuste salarial que leve em conta a inflação acumulada nos últimos anos, além de avanços como a ampliação de benefícios, condições de trabalho mais adequadas e a garantia de direitos já conquistados em acordos anteriores.

Segundo os líderes sindicais, as negociações com a diretoria da Ebserh não conseguiram avançar até o momento, o que resultou no início da greve. Maria Helena Santos, enfermeira do HC-UFG e representante do movimento, destacou que “a categoria está há anos sem um reajuste salarial que compense a inflação, o que gera perdas consideráveis no poder de compra dos trabalhadores”. Ainda segundo Santos, os funcionários também demandam uma política de carreira mais clara e justa, que valorize os profissionais, além de melhorias na infraestrutura do hospital.

Promessas e impasses

Em nota oficial, a Ebserh afirmou estar ciente da importância de encontrar uma solução para as reivindicações e garantiu que está em diálogo com os representantes sindicais. No entanto, a estatal também argumenta que o atual cenário econômico do país impõe restrições orçamentárias que dificultam a concessão imediata de um reajuste que atenda plenamente às demandas dos trabalhadores. Neste impasse, sindicatos denunciam que a falta de avanços concretos está agravando as condições de trabalho nos hospitais universitários e comprometendo a qualidade do atendimento.

A mobilização nacional ocorre num momento delicado para os serviços de saúde no Brasil. Muitos hospitais universitários, administrados pela Ebserh, são referência no atendimento especializado e em casos de alta complexidade. A greve, por consequência, intensifica a pressão sobre um sistema de saúde que já enfrenta desafios estruturais históricos, agravados pela pandemia de Covid-19 e pela crise econômica.

Contexto e relevância

A Ebserh foi criada em 2011, durante o governo Dilma Rousseff, com o objetivo de reestruturar e modernizar a gestão de hospitais universitários federais. A estatal atua em três frentes: assistência médica, ensino e pesquisa. O modelo de gestão propõe maior eficiência na administração dessas unidades, ao mesmo tempo em que busca integrar o atendimento à população à formação de profissionais de saúde e à produção de conhecimento científico.

No entanto, a promessa de eficiência administrativa tem enfrentado desafios práticos, segundo especialistas. O investimento insuficiente em infraestrutura e a dificuldade em atender às demandas de seus quase 50 mil trabalhadores têm gerado insatisfação. Há, também, críticas de que a estrutura da Ebserh, enquanto empresa pública de direito privado, permite brechas para precarizar direitos trabalhistas, ao adotar contratos que não seguem os mesmos parâmetros do funcionalismo público tradicional.

No caso específico do HC-UFG, o hospital é referência em atendimentos de alta complexidade em diversas áreas, como oncologia, cardiologia e neurologia, e atende boa parte da população de Goiás e de estados vizinhos. A greve, portanto, tem impacto direto na assistência à saúde da região, mesmo com o cumprimento da exigência legal de manter ao menos 30% do efetivo em funcionamento durante a paralisação.

Além de Goiás, os estados que registraram adesão ao movimento grevista incluem São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco e Maranhão. Essa mobilização coordenada reflete um descontentamento generalizado entre os profissionais da área, que afirmam estar sobrecarregados e mal remunerados. Em algumas localidades, protestos e manifestações têm sido realizados, reunindo não apenas os trabalhadores da saúde, mas também pacientes e familiares que apoiam as demandas da categoria.

O economista e especialista em contas públicas Luiz Alberto Mendonça destaca que o problema orçamentário enfrentado pela Ebserh reflete a crise mais ampla da saúde pública no Brasil. “A saúde é historicamente subfinanciada no país. Somam-se a isso a crise fiscal e a pandemia de Covid-19, que aumentaram os desafios econômicos e sociais. A greve é um reflexo de uma insatisfação acumulada e de um orçamento que já não comporta as necessidades”, pondera Mendonça.

Perspectivas e próximos passos

Até o momento, não há previsão de um acordo definitivo entre a Ebserh e os representantes sindicais, o que levanta incertezas sobre a duração da paralisação. A direção do Hospital das Clínicas da UFG informou estar empenhada em minimizar os impactos para os pacientes e que segue as determinações legais de priorizar atendimentos emergenciais e hospitalizações de urgência.

Enquanto isso, profissionais da saúde alertam para os riscos de prolongamento do movimento. “Estamos cientes do impacto que uma greve pode causar no atendimento, mas nossas reivindicações não são novas. Chegamos a essa situação porque há uma falta de escuta e comprometimento por parte dos gestores”, afirmou um médico que preferiu não se identificar.

Com a greve ganhando visibilidade tanto em Goiás quanto em âmbito nacional, cresce a expectativa de que as negociações avancem nos próximos dias. Para muitos dos trabalhadores da Ebserh, o desfecho do movimento será um teste para a capacidade da estatal não apenas de atender às suas demandas, mas também de resgatar a confiança de seus funcionários e assegurar um futuro mais estável para os hospitais universitários do Brasil.

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