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Rodovias federais em Goiás operam sem radares após fim de contratos

Trechos administrados pela autarquia estão sem fiscalização eletrônica devido à transição contratual, comprometendo a segurança viária em pontos estratégicos do estado

Rodovias federais em Goiás operam sem radares após fim de contratos
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

A ausência de radares em rodovias federais de Goiás tem gerado preocupações sobre a segurança viária. Desde que os contratos de monitoramento eletrônico foram encerrados, sem renovação imediata, trechos administrados pela autarquia federal estão desprovidos de fiscalização. A situação ocorre em um momento de transição contratual e levanta questionamentos sobre os impactos dessa interrupção em um estado com elevado fluxo de tráfego rodoviário.

As rodovias afetadas são de responsabilidade direta do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e a lacuna decorre da demora na conclusão de novos processos licitatórios para a instalação de equipamentos. A ausência de radares potencializa os riscos de acidentes, sobretudo em trechos historicamente críticos para colisões e atropelamentos. Especialistas alertam que a redução da fiscalização pode resultar em comportamentos imprudentes, como o aumento da velocidade média dos veículos e a desobediência à sinalização.

De acordo com dados do próprio DNIT, Goiás integra um dos principais eixos logísticos do Brasil, com rodovias estratégicas que conectam o Centro-Oeste a outras regiões do país. A ausência de fiscalização neste contexto expõe tanto motoristas quanto pedestres a perigos iminentes. Um levantamento de 2022 apontou que 80% das multas por infrações em rodovias da região foram aplicadas a partir de dispositivos eletrônicos, evidenciando a relevância desses equipamentos no controle do tráfego.

A transição contratual que motivou a retirada dos radares faz parte de um processo nacional de reestruturação. Porém, o ritmo da implementação dos novos contratos tem sido alvo de críticas. Segundo o professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcos Pereira, “a interrupção na fiscalização automatizada não pode se transformar em um vácuo de segurança viária. O custo humano de acidentes supera amplamente qualquer dificuldade logística na gestão de contratos”.

Em nota, o DNIT informou que a licitação para a nova instalação de radares está em andamento e que medidas paliativas, como reforço de campanhas educativas, estão sendo tomadas. No entanto, a ausência de cronogramas claros para a retomada da operação plena dificulta a avaliação de soluções concretas e permanentes para o problema. Além disso, a fiscalização manual, realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), enfrenta limitações operacionais, tornando-se inviável para cobrir todo o território impactado.

A falta de fiscalização não é inédita e remonta a episódios semelhantes em outras regiões do Brasil. Em 2019, recentes mudanças contratuais também levaram à suspensão de radares em rodovias federais do Sudeste, o que, segundo estudos, resultou em aumento expressivo de acidentes e mortes durante o período de interrupção. Essa experiência reforça o alerta para a necessidade de planejamento estratégico e continuidade nos processos de contratação.

Para além da questão imediata da segurança, a ausência de radares também pode gerar impacto econômico. Em âmbito nacional, a arrecadação proveniente de multas representa um recurso substancial para investimentos na melhoria da infraestrutura viária, educação no trânsito e programas de redução de acidentes. Sem a receita oriunda desse monitoramento, projetos essenciais podem ser comprometidos.

No contexto de Goiás, a situação reflete um dilema maior enfrentado pelo Brasil na administração pública: a conciliação entre eficiência burocrática e o atendimento às necessidades da população. Como enfatiza o urbanista e especialista em mobilidade Carlos Ribeiro, “o trânsito é uma questão de cidadania. Reduzir acidentes deveria ser uma prioridade inadiável, independentemente de prazos contratuais”.

Enquanto isso, motoristas e pedestres que dependem das rodovias federais em Goiás precisam lidar com a incerteza e redobrar a atenção. A combinação de ausência de radares, fluxo intenso e históricos de acidentes torna o cenário desafiador. A retomada da fiscalização eletrônica, assim que realizada, será essencial para reestabelecer um mínimo de segurança nos trechos afetados.

A lacuna atual serve como um lembrete dos riscos que a inércia administrativa pode gerar para a sociedade. A necessidade de articulação e agilidade por parte das autoridades competentes não é apenas uma questão de eficiência técnica, mas um compromisso com a vida e a integridade dos cidadãos.

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