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Restos mortais dos Mamonas Assassinas serão exumados após 30 anos

A exumação dos restos mortais dos integrantes da banda Mamonas Assassinas ocorre três décadas após o trágico acidente que comoveu o Brasil. A medida é parte de um processo administrativo que busca preservar a memória do grupo e atender questões legais pendentes

Exumação dos restos mortais dos integrantes da banda Mamonas Assassinas
Reprodução

Os restos mortais dos integrantes da icônica banda Mamonas Assassinas serão exumados, 30 anos após o fatídico acidente aéreo que tirou a vida de seus cinco membros em 1996. O procedimento, realizado no Cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos (SP), atende a uma solicitação de caráter administrativo e jurídico, mas também desperta discussões sobre memória cultural e preservação patrimonial.

A banda, formada por Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli, marcou a história da música brasileira com seu humor irreverente, misturando gêneros como rock, pop e música popular brasileira. O sucesso meteórico foi bruscamente interrompido em 2 de março de 1996, quando o jato executivo Learjet 25 que transportava o grupo chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, matando todos a bordo. O impacto da tragédia ainda ressoa no imaginário nacional.

Segundo informações divulgadas pela administração do cemitério e por fontes ligadas às famílias, a exumação se dá por motivos técnicos relacionados à administração dos jazigos e novos procedimentos de conservação. Contudo, a notícia reacendeu debates sobre a relevância cultural do legado dos Mamonas Assassinas e a forma como a sociedade brasileira lida com a memória coletiva de figuras públicas.

Um marco na cultura pop brasileira

Os Mamonas Assassinas despontaram no cenário musical em meados da década de 1990, ganhando fama com seu álbum homônimo, lançado em 1995. Canções como “Pelados em Santos” e “Vira-Vira” conquistaram o país, destacando-se pelas letras cômicas e performances enérgicas, que mesclavam teatralidade e jovialidade.

O impacto cultural do grupo foi tão avassalador quanto sua trajetória foi breve. Em menos de um ano, o álbum vendeu mais de 3 milhões de cópias, conquistando ampla diversidade de públicos, de crianças a adultos, atravessando classes sociais. O fenômeno consolidou os Mamonas como um símbolo de irreverência e originalidade na música brasileira, apesar de sua curta existência.

O trágico acidente de 1996, além de ceifar vidas jovens e talentosas, provocou comoção nacional sem precedentes. Milhares de fãs compareceram ao velório em Guarulhos, onde a banda vivia, e os integrantes foram sepultados lado a lado no Cemitério Parque das Primaveras, em uma cerimônia que se tornou um marco na história da música e da cultura pop no Brasil.

Memória e questões legais

A exumação dos restos mortais, além de atender questões administrativas, levanta considerações acerca de como a memória do grupo é preservada. Segundo especialistas em patrimônio cultural, a exumação oferece uma oportunidade para reforçar o diálogo sobre a importância de preservar a história de artistas que marcaram épocas.

A jornalista e pesquisadora musical Andréia Marins comenta: “Os Mamonas Assassinas ultrapassaram fronteiras entre a música e o humor, deixando um legado que é revisitado até hoje. A exumação pode reavivar o interesse pela obra da banda, desde que realizada com respeito e foco na preservação de sua memória”.

Além disso, o processo também reacende discussões sobre a gestão de cemitérios e o cumprimento de normas legais referentes a sepultamentos e exumações. No Brasil, o prazo médio para a exumação de corpos varia de acordo com cada estado, sendo comum que restos mortais sejam transferidos para ossuários após períodos de 15 a 20 anos, caso não haja demanda familiar por manutenção do jazigo.

O impacto do luto público

A perda dos Mamonas Assassinas marcou uma geração e consolidou de forma trágica a consagração de artistas que, por meio de sua autenticidade, conquistaram o afeto de milhões de brasileiros. A comoção pública gerada pelo acidente tornou-se uma referência de luto coletivo, comparável apenas a figuras icônicas como Ayrton Senna e Elis Regina.

Hoje, quase três décadas após o acidente, os Mamonas são lembrados com nostalgia e admiração. A memória do grupo é mantida viva por fãs, documentários e reedições de suas músicas. O contexto do procedimento de exumação, embora técnico, reacende um universo de histórias e sentimentos que liga o Brasil dos anos 1990 às gerações atuais.

Reflexão sobre a memória coletiva

Ao longo dos anos, iniciativas para homenagear os Mamonas Assassinas entraram em pauta. Projetos como exposições, musicais e documentários revisitam a trajetória da banda, reafirmando sua relevância cultural. Em 2022, por exemplo, o musical “O Meu Primeiro Amor” recontou a história do grupo nos palcos, apresentando seu legado a um público jovem que não vivenciou a época de ouro do quinteto.

A exumação, embora possa ser interpretada como um evento técnico, não deixa de trazer à tona perguntas que transcendem as questões legais. Quais artistas contemporâneos têm sua memória cultural e afetiva preservada? Como a sociedade brasileira celebra e protege suas referências culturais?

Os restos mortais dos integrantes voltarão a ser depositados no mesmo cemitério, após a realização da exumação e das adequações necessárias. Os familiares, que não se manifestaram amplamente sobre o episódio, solicitam que o procedimento seja tratado com discrição.

Enquanto a exumação ocorre em um contexto técnico, é inegável que ela traz à tona a vivacidade da história dos Mamonas Assassinas, um grupo que, em sua breve existência, conseguiu transformar a cena musical e cultural do Brasil, deixando um legado que continua a resistir ao tempo.

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