PSOL e PT alinham chapa conjunta para o Governo de Goiás
Uma nova aliança política está sendo desenhada em Goiás: o PSOL e o PT estão em diálogo avançado para a formação de uma chapa conjunta para disputar o cargo de governador do estado nas eleições de 2026. O anúncio foi marcado pelas declarações da ex-candidata ao governo e liderança do PSOL, Cíntia Dias, que destacou o papel do professor Edward Madureira (PT) nas negociações. “Adriana demonstrou acolhimento ao meu nome que também somam com o do professor Edward Madureira”, pontuou Cíntia, em referência à presidenta estadual do PT em Goiás, Adriana Accorsi.
A formação de uma chapa unificada entre os dois partidos simboliza uma tentativa de reorganizar o campo progressista em Goiás, tradicionalmente dominado por forças conservadoras. Segundo fontes locais, o diálogo entre as siglas começou meses atrás, mas ganhou intensidade recentemente, com o objetivo de ampliar a base de oposição ao governo estadual e construir uma alternativa viável para as próximas eleições.
Contexto político e histórico da aliança
Historicamente, o PT tem desempenhado um papel relevante no cenário político de Goiás, tendo ocupado o governo estadual no início dos anos 2000, durante a gestão de Alcides Rodrigues, que rompeu com seu antecessor, Marconi Perillo. Já o PSOL, embora com menor expressão eleitoral no estado, consolidou-se como um partido que vem ampliando sua base junto aos movimentos sociais e setores da juventude goiana.
A recente eleição presidencial, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu as discussões sobre a reconstrução da unidade da esquerda em estados onde o cenário político é adverso. Em Goiás, a hegemonia do cenário político há décadas é disputada entre partidos mais alinhados ao centro e à direita, como o PSDB e o União Brasil. Assim, a aliança entre PSOL e PT surge como resposta à necessidade de reconfiguração do campo progressista no estado.
Articulações e nomes em evidência
Cíntia Dias, liderança do PSOL em Goiás e candidata ao governo estadual em 2022, assume protagonismo no processo de diálogo que culmina na aliança entre as duas siglas. Com uma agenda focada em pautas sociais, ambientais e de direitos humanos, a figura de Cíntia representa a renovação no campo progressista, algo que o PSOL pretende explorar ao estabelecer as bases da chapa.
Por outro lado, Edward Madureira, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e nome de peso no PT estadual, desponta como possível candidato ao governo ou vice. Sua atuação na área da educação, marcada por uma gestão elogiada à frente da UFG, reforça a estratégia de apresentar um nome avalizado pela experiência administrativa e acadêmica. A dobradinha entre Cíntia e Madureira, que ainda será formalizada oficialmente, pode representar uma união simbólica entre renovação política e experiência administrativa.
Adriana Accorsi, presidenta estadual do PT em Goiás e deputada estadual, destacou a importância da aliança PSOL-PT para as eleições de 2026. Segundo ela, a construção dessa unidade é fundamental para fortalecer as posições de oposição no estado. “Estamos alinhados em valores e objetivos. Temos a certeza de que juntos podemos construir um projeto sólido para Goiás”, afirmou Adriana, durante um evento partidário em Goiânia.
Desafios e oportunidades para a nova coligação
A formação de uma chapa conjunta entre PSOL e PT em Goiás não está isenta de desafios. A oposição ao atual governo estadual, comandado por Ronaldo Caiado (União Brasil), exige não apenas unidade interna, mas também a construção de uma narrativa clara e convincente para os eleitores goianos, que em grande parte votaram em candidatos de centro-direita nas últimas eleições estaduais.
Além disso, a aliança pode enfrentar resistências internas dentro de ambas as siglas. No PSOL, há setores que temem que a aproximação com o PT desidrate a identidade política do partido, enquanto no PT existe o receio de que a inserção de novos lideranças dificulte a consolidação de figuras tradicionais da legenda no estado. Contudo, a sinalização de acordo demonstra, até o momento, um esforço de superação desses obstáculos.
Por outro lado, a aliança oferece oportunidades únicas. A união entre PT e PSOL pode ampliar o alcance eleitoral de ambos os partidos, reunindo forças em regiões estratégicas como o entorno do Distrito Federal e áreas historicamente resistentes ao conservadorismo. Além disso, a presença de Madureira e Cíntia na chapa reforça o compromisso com uma agenda progressista sólida, capaz de dialogar tanto com movimentos sociais quanto com setores acadêmicos e culturais de Goiás.
A construção de uma nova disputa em Goiás
Com a definição das bases da aliança PSOL-PT, os próximos passos envolvem o fortalecimento da base eleitoral nos municípios goianos e o lançamento de uma plataforma conjunta que consolide as pautas prioritárias da chapa. Reforma agrária, combate às desigualdades sociais, defesa do meio ambiente e fortalecimento da educação pública são temas que devem figurar entre os pilares do programa de governo.
A aposta em uma narrativa que una renovação e experiência pode ser decisiva na construção de uma alternativa viável à atual gestão estadual. A parceria entre PSOL e PT sinaliza que os dois partidos estão comprometidos em oferecer uma proposta de governo que vá além da mera crítica ao governo Caiado, delineando políticas públicas concretas e acessíveis ao estado.
Embora as eleições de 2026 ainda estejam distantes, o movimento entre PSOL e PT já provoca movimentações no cenário político goiano. Esta aliança, marcada pela busca de uma reorganização da esquerda no estado, pode indicar uma virada importante na cena política regional, com reflexos em futuras composições no plano nacional.