Divagando eu estava. Devagando de “devagar” ou divagando mesmo? Acho que um pouco dos dois. A pé eu estava, devagar e divagando. Melhor? Sim. Acho que sim. Tive que atravessar a rua... aí começou o motivo desta crônica. Nossa, como é difícil atravessar a rua em Goiânia. Só existem duas pessoas capazes de atravessar a rua em Goiânia: Flash (muito rápido) e Capitão América (indestrutível).
Era uma daquelas ruas em que não há o botão para atravessar, então, temos que esperar um pouco de educação e boa vontade. Algum positivista pode me dizer: “a preferência é sempre do pedestre”. Ao positivista, a minha resposta: “desafio você a pisar na faixa com os carros passando”. Se colocar o pé na faixa, vira notícia no O Popular, não tem jeito.
Pois bem. Enquanto esperava o fluxo arterial de carros cessar para seguir minha viagem terrestre, pensei nas chuvas estranhas que estão caindo, mas nem é época de chuva. Fazer o quê? Dizem que é o aquecimento global, não entendo muito, mas acredito.
Olhei para um lado, olhei para o outro, pessoas vão se aglomerando, parecendo até uma fila de lotérica. Curioso que parece mesmo um jogo de aposta. “Se eu correr nesta faixa, quantos por cento de chance tenho de chegar ao outro lado sem virar camiseta de passeata?” De fato, não deixa de ser um jogo de sorte.
Pensei nos cachorrinhos ao lado de seus tutores, sentados e com o rabinho “abanante”, somente esperando o momento de sair por aí em seu passeio, provavelmente pensando: “que passeio demorado que está hoje”.
Como será que Os Beatles tiraram a clássica foto na faixa? Eu tenho certeza que não foi em Goiânia, se não, jamais teriam conseguido. Aqui, para fechar a rua, tem ofício para cá, autorização da prefeitura para lá e, no fim, é tanto ofício e assinatura, que até desistimos.
Sabe o que é pior? O motorista reclama quando tem que parar na faixa para o pedestre. Reclama que o caminhar é vagaroso, reclama que o próximo sinal está aberto e ele quer aproveitar, reclama sem parar, e aqui, é sem parar MESMO.
Bom, acho que o sinal de cima fechou. É meu momento. Tem uma moto vindo, atrás vem um carro, mas acho que tenho tempo. Demorou tanto, que sequer me lembro para onde estava indo. E agora? Agora preciso atravessar de novo para voltar para casa.