O que dizer de Portugal? Devo agradecer ou bradar por sua herança linguística? O português — o idioma, não o cidadão — por que é tão difícil?
Sempre tive dificuldade para aprender todos os tipos de orações. Sei que, no fim, só aprendi “Pai Nosso” e “Ave Maria”. Acho que é por isso que se chama “oração”, só dá para aprender com base na reza.
Uma oração subordinada é dar algo em troca quando se reza? Preciso cumprir uma penitência? Só se for. Pelo jeito estou em dívida, pois é oração demais e uso de menos delas.
Meia manga é um pedaço de pano ou metade de uma fruta? Podem ser as duas opções. Meio-dia é 12h, meia hora é 30 minutos. Não satisfeitos em dificultar o português, colocaram números? Meio difícil para meio mundo de gente.
Crase, agudo, circunflexo. Gosto de pensar a crase como uma aglutinação de “crise grave”, já que para aprender as regras, dá até tremedeira. O til, o que dizer do til? A propósito, é “til” mesmo, com “l” no final, o com “o” é aquele do “pavê ou pa cumê” e “cadê os (as) namoradinhos (as)?”
O til não é acento. Pois é. Não é. É um sinal de nasalização, nada mais é que uma sinusite institucionalizada e com local de fala.
No final, errando e aprendendo, sigo caminhando em estradas sinuosas, com Aurélio de copiloto.
E, se perder o tênis no meio do caminho, pelo menos já sei: é só colocar o chapeuzinho (nosso querido circunflexo) — porque, no português, tudo tem regra.