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Mulheres do Cerrado: teatro, memória e protagonismo na terceira idade

Entrevista realizada com Mestre Wadson Arantes Gama, idelizador da companhia de teatro.

A Companhia de Teatro Senhoras do Cerrado, criada em 1998 em Goiânia, completa 28 anos de atuação contínua em 2026. Mais do que um grupo artístico, o projeto se tornou referência ao unir teatro, cuidado emocional e convivência social, com foco no protagonismo de mulheres idosas.

Para entender melhor essa trajetória, o presidente da Comissão de Cultura da OAB/GO – Subseção Aparecida, Luiz Humberto, conversou com o idealizador da iniciativa, o psicólogo e mestre Wadson Arantes Gama.

Luiz Humberto: Wadson, como surgiu a Companhia Senhoras do Cerrado?

Wadson Arantes Gama: A companhia nasceu em 1998, dentro da antiga FUMDEC, em Goiânia. A ideia inicial era criar um espaço onde o teatro pudesse dialogar com o cuidado emocional e a convivência social. Desde o começo, o foco foi oferecer às mulheres idosas um lugar de fala, de escuta e de protagonismo.

Luiz Humberto: O projeto vai além do teatro tradicional, certo?

Wadson Arantes Gama: Sem dúvida. O teatro aqui é uma ferramenta. Trabalhamos o fortalecimento da autoestima, valorizamos as histórias de vida dessas mulheres e incentivamos o envelhecimento ativo. Cada ensaio é também um espaço de acolhimento e construção coletiva.

Luiz Humberto: Como essas histórias pessoais chegam ao palco?

Wadson Arantes Gama: Nossos espetáculos são construídos a partir das vivências das participantes. A experiência de vida delas se transforma em linguagem cênica. É um processo muito sensível, onde memória, emoção e arte caminham juntas.

Luiz Humberto: Há montagens marcantes nessa trajetória?

Wadson Arantes Gama: Sim. “Festa do Céu” foi nosso primeiro espetáculo, um marco importante. Depois vieram trabalhos como “Colcha de Retalhos”, além de outras criações que abordam temas como o feminino, a religiosidade, o corpo e a invisibilidade social.

Luiz Humberto: E atualmente, como o grupo está estruturado?

Wadson Arantes Gama: Hoje, a companhia atua como projeto de extensão do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás. Lá desenvolvemos atividades contínuas de criação, ensaios e apresentações.

Luiz Humberto: O espetáculo “Invisibilidade” tem chamado atenção. Qual é a proposta dele?

Wadson Arantes Gama: Esse trabalho traz uma reflexão muito importante sobre o apagamento social da pessoa idosa. É um tema urgente, e o teatro nos permite provocar o público a enxergar essas mulheres com mais respeito e sensibilidade.

Luiz Humberto: Depois de 28 anos, como você define a importância da companhia?

Wadson Arantes Gama: Eu diria que é uma experiência singular. Conseguimos articular arte, envelhecimento e transformação social. O teatro se torna um espaço de pertencimento, de produção de sentido e, sobretudo, de existência.

Ao longo de quase três décadas, a Companhia Senhoras do Cerrado reafirma que o palco pode ser também um lugar de memória viva, resistência e reinvenção — onde mulheres idosas deixam de ser invisíveis para se tornarem protagonistas de suas próprias histórias.

Acompanhem a Companhia de Teatro, Senhoras do Cerrado no instagram: @senhorasdocerrado.

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