A missão empresarial de Goiás na Índia, liderada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, e realizada em paralelo à cúpula do G20, busca expandir as relações comerciais do estado com o gigante asiático. A pauta inclui o aumento das exportações de produtos agrícolas, bioenergia e itens da indústria farmacêutica, além da exploração de oportunidades em inteligência artificial. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, realizado em Nova Délhi, somada aos esforços de líderes empresariais, reforça a intenção de estreitar os laços econômicos entre Brasil e Índia.
O comércio bilateral Brasil-Índia já movimenta cerca de US$ 12 bilhões por ano, segundo dados oficiais. No entanto, há grande potencial para elevar esse número. Goiás, com sua posição estratégica como líder nacional na produção de grãos e proteínas, enxerga na Índia um mercado promissor para seus produtos. André Rocha destacou que a Índia, com sua população de mais de 1,4 bilhão de habitantes e crescimento acelerado, apresenta demandas que o estado pode atender. "Estamos aqui para mostrar que Goiás tem capacidade e qualidade para ser um parceiro estratégico em setores vitais como agricultura, energia limpa e saúde", afirmou Rocha.
Além dos tradicionais produtos agrícolas, a missão goiana busca ampliar os diálogos sobre energia renovável e tecnologia. Durante a visita, empresários e representantes políticos de Goiás participam de reuniões com lideranças locais para explorar parcerias em áreas como bioenergia e inteligência artificial. O estado, que já possui um segmento promissor em biocombustíveis, vê na Índia um mercado estratégico para a exportação de etanol, além de oportunidades de aprendizado com as avançadas tecnologias indianas no processamento de energia solar.
A indústria farmacêutica também ocupa lugar de destaque na agenda goiana. Com grandes centros de produção no estado, incluindo Anápolis, Goiás tem potencial para fornecer medicamentos e insumos à Índia, que, apesar de ser um dos maiores produtores globais neste setor, continua sendo um grande importador de materiais específicos. Segundo Rocha, "a cooperação entre os dois países pode impulsionar tanto nossa produção quanto atender às necessidades do mercado indiano".
Historicamente, a relação entre Índia e Brasil, incluindo Goiás, tem se intensificado ao longo das últimas décadas. O diálogo diplomático e econômico entre os países ganhou força especialmente após o ingresso conjunto no BRICS, bloco que reúne potências emergentes. Este grupo, que inclui também Rússia, China e África do Sul, tem trabalhado para promover uma ordem econômica mais equilibrada e diversificada. Dentro desse contexto, a Índia e o Brasil têm encontrado interesses comuns em áreas como sustentabilidade, segurança alimentar e inovação tecnológica.
O contexto global também favorece o estreitamento desses laços. A Índia, que assumiu a presidência rotativa do G20 neste ano, tem defendido uma agenda voltada para a inclusão econômica e a sustentabilidade. No encontro de Nova Délhi, que contou com a presença de líderes das maiores economias do mundo, o presidente Lula reforçou a importância da cooperação multilateral e apresentou o Brasil como um país aberto ao diálogo e ao comércio. Goiás, como um dos estados mais produtivos do país, aparece como um protagonista natural na materialização dessas parcerias globais.
A relevância da missão também se estende ao fortalecimento econômico de Goiás. Em um cenário de recuperação pós-pandemia e enfrentamento de desafios sociais e fiscais, a expansão dos mercados internacionais é uma estratégia vital para dinamizar a economia local, gerar empregos e aumentar a arrecadação tributária. Segundo dados da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio de Goiás, em 2022, o estado exportou cerca de US$ 5,8 bilhões, com destaque para produtos agrícolas e minérios. Agora, o objetivo é diversificar os destinos e os segmentos exportados.
Apesar das oportunidades, analistas apontam que o sucesso dessa missão depende de fatores como a capacidade de superar barreiras culturais e regulatórias. A Índia possui uma série de particularidades em seus processos de importação, além de políticas protecionistas que visam preservar a economia local. Por sua vez, os empresários goianos terão de ajustar suas estratégias de negociação para atender às demandas específicas de um mercado tão diverso quanto o indiano.
A visita também reforça o papel do empresariado goiano na projeção internacional de Goiás. Empresários e representantes do governo estadual têm buscado não apenas promover produtos locais, mas também construir uma imagem de confiança e inovação. "O que estamos fazendo aqui na Índia representa um passo estratégico para reposicionar Goiás no cenário global", afirmou um consultor da missão que preferiu não ser identificado.
Ante esse panorama, a mensagem que emerge da missão na Índia é clara: Goiás, com sua força produtiva e capacidade de inovação, encontra-se diante de uma janela de oportunidade para ampliar sua presença em mercados internacionais. O esforço conjunto de empresários, líderes políticos e representantes do governo, combinado ao apoio institucional do Brasil no contexto do G20, pode desempenhar um papel central na criação de novos caminhos de desenvolvimento.
A missão na Índia representa mais do que transações comerciais. É um símbolo de como a economia de Goiás, impulsionada por valores como inovação, sustentabilidade e qualidade, busca transcender fronteiras. Com um olhar voltado para o futuro, o estado se firma como um ator relevante no cenário global, promovendo impacto econômico e social não apenas em seu território, mas também em países parceiros.