Um comunicado oficial do governo chinês divulgado no domingo (10) informou que apenas 50% da cota prevista para importação de carne bovina brasileira havia sido utilizada até 9 de maio, levando o mercado a revisar estimativas sobre o ritmo das exportações, o prazo para o preenchimento da cota e os efeitos sobre o preço do boi gordo no Brasil.
As expectativas já vinham sendo ajustadas desde abril, quando representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) apontaram a possibilidade de esgotamento da cota ainda em maio. Após revisões que sugeriram junho como prazo provável, os dados oficiais chineses reacenderam a discussão sobre a velocidade real de utilização do benefício tarifário.
O comunicado chinês também esclareceu que a tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira só será aplicada a partir do terceiro dia após o preenchimento integral da cota estabelecida no Anúncio nº 87 de 2025, o que altera o calendário de riscos e oportunidades para exportadores e frigoríficos.
“O mercado trabalhou durante semanas com estimativas de encerramento da cota em um prazo muito mais curto. O comunicado mostrando apenas 50% de utilização acaba mudando a percepção sobre o ritmo real desse processo”, afirmou o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares.
Um dos pontos de debate entre agentes do setor é a diferença entre volumes embarcados pelo Brasil e a efetiva internalização da carne em território chinês: parte do mercado avalia que projeções anteriores podem ter considerado apenas o fluxo de embarques, sem contabilizar o tempo logístico até o registro oficial na China.
Apesar das revisões nas estimativas sobre a cota, analistas mantêm avaliação positiva sobre os fundamentos do mercado físico brasileiro, citando escalas de abate curtas, oferta restrita de animais terminados e a contínua demanda internacional por proteína bovina.
Com os novos números oficiais, agentes da cadeia pecuária devem recalcular prazos e monitorar os possíveis reflexos sobre preços e oferta ao longo do segundo semestre, enquanto frigoríficos reavaliam estratégias de comercialização e logística.