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Médicos da Maternidade Célia Câmara podem entrar em greve por atrasos salariais

Profissionais reivindicam melhores condições de trabalho e o pagamento de salários atrasados. O Simego alerta para o impacto no atendimento à população caso não haja negociação imediata com as autoridades responsáveis

Maternidade Célia Câmara e médicos em greve
Reprodução

Médicos da Maternidade Célia Câmara avaliam greve por atrasos e condições de trabalho precárias

Os médicos da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, avaliam a possibilidade de iniciar uma greve devido ao atraso no pagamento de salários e às condições de trabalho consideradas precárias. A convocação para a mobilização foi realizada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), que tem alertado para a insustentabilidade do atual cenário na unidade de saúde, considerada um importante alicerce no atendimento materno-infantil do estado.

A situação ganhou destaque após uma série de negociações não evoluírem, deixando os profissionais sem perspectivas de solução. A maternidade, reconhecida por atender a alta demanda de partos e emergências obstétricas na região, enfrenta dificuldades financeiras e estruturais que têm colocado em risco tanto a saúde das gestantes quanto a segurança das equipes de saúde. Segundo o Simego, a paralisação pode ser iniciada a qualquer momento, caso os problemas não sejam resolvidos.

#### Contexto histórico e o papel estratégico da unidade

A Maternidade Célia Câmara é uma das principais unidades de saúde pública dedicadas à obstetrícia em Goiás. Com um grande número de atendimentos realizados mensalmente, a instituição é referência no estado, especialmente para casos de alta complexidade, como partos de risco e complicações neonatais. Contudo, nos últimos anos, a unidade tem enfrentado desafios ligados à gestão de recursos e à manutenção de infraestrutura adequada.

Os salários atrasados, apontados pelos médicos como uma das principais razões para a possível deflagração da greve, são reflexo de um sistema de financiamento que tem mostrado falhas recorrentes. Além disso, relatos de estruturas inadequadas, falta de insumos essenciais e sobrecarga de trabalho têm sido apontados pelo Simego como agravantes da crise. Em nota, o sindicato reforçou que a situação coloca em xeque a sobrevivência da maternidade como referência de atendimento no estado.

#### Impactos da possível paralisação

Uma greve dos médicos pode ter impactos severos para a população, em especial para gestantes e recém-nascidos que dependem exclusivamente do SUS na região. O Simego afirmou que está em diálogo com os profissionais para garantir que os direitos da categoria sejam preservados, ao mesmo tempo em que uma eventual paralisação seja conduzida de forma responsável, respeitando os protocolos que garantam o atendimento a emergências e casos de urgência.

Por outro lado, o sindicato também destacou que a atual situação já afeta negativamente os atendimentos, uma vez que a insatisfação das equipes e a precariedade de equipamentos e instalações comprometem a qualidade do serviço prestado. “Estamos diante de uma crise que coloca a vida de profissionais e pacientes em risco”, ressaltou a presidente do Simego, Dra. Sabrina Ribeiro, em entrevista recente.

#### Repercussões políticas e sociais

A crise na Maternidade Célia Câmara não é um caso isolado na saúde pública de Goiás, mas atinge proporções alarmantes por se tratar de uma unidade dedicada a públicos vulneráveis, como gestantes em situação de risco e bebês prematuros. Representantes do poder público, incluindo a Secretaria Estadual da Saúde (SES-GO), têm sido cobrados por uma resposta rápida. No entanto, até o momento, não foi apresentado um plano concreto para resolver os problemas apontados. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Vencio, garantiu que está ciente das reivindicações dos médicos e que esforços estão sendo feitos para a regularização dos pagamentos.

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais têm manifestado preocupação com a possível greve, destacando que a paralisação aprofundaria desafios já vividos pela saúde pública do estado. Um aspecto central do debate é como equilibrar o direito dos profissionais à remuneração e condições de trabalho dignas com a garantia de continuidade dos serviços essenciais para a população.

#### Análise e desafios para o futuro

Especialistas apontam que as dificuldades enfrentadas pela Maternidade Célia Câmara refletem um problema estrutural mais amplo na saúde pública brasileira. O subfinanciamento do setor, aliado a problemas de gestão e à indefinição de responsabilidades entre os diferentes níveis de governo, tem resultado em crises recorrentes em instituições estratégicas como esta. Para o economista e especialista em políticas públicas Henrique Sodré, “casos como o da Maternidade Célia Câmara mostram como a falta de planejamento e prioridade no setor de saúde gera um efeito cascata, prejudicando tanto os profissionais quanto os usuários”.

Por outro lado, é necessário que o diálogo entre governo, sindicato e gestores hospitalares seja intensificado para que soluções emergenciais sejam implementadas e, assim, se evite a paralisação. Planos de médio e longo prazo também devem entrar na pauta, abordando tanto a gestão de recursos quanto a ampliação do financiamento público da saúde.

#### Caminhos para a solução

A crise vivida na Maternidade Célia Câmara exige uma resposta coordenada e estrutural. Além de atender às reivindicações imediatas dos médicos, é fundamental que se repense o modelo atual de funcionamento da unidade, desde o financiamento até a gestão de insumos e pessoal.

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