Ao longo de 2023, Goiás tem sido palco de um expressivo movimento de empreendedorismo feminino. De acordo com dados divulgados pelo Jornal Opção, mais de 15 mil mulheres abriram suas próprias empresas no estado, consolidando uma tendência de protagonismo econômico e social. O levantamento aponta que 13.234 destas empresas foram registradas como Microempreendedoras Individuais (MEI), modalidade que se destaca por abranger negócios de menor porte com regime simplificado de tributação.
Essa onda de empreendedorismo reflete não apenas a adaptabilidade das mulheres às adversidades econômicas, mas também sua busca por autonomia financeira e realização profissional. Segundo especialistas, o crescimento do número de empresárias no estado está diretamente ligado a fatores como ampliação da digitalização, acesso à informação e maior incentivo ao empreendedorismo feminino através de capacitações e programas de fomento.
Historicamente, as mulheres enfrentaram uma série de desafios para exercerem plena autonomia no mercado de trabalho. Até meados do século XX, o acesso feminino à educação formal e a atividades econômicas era limitado, relegando boa parte delas aos cuidados domésticos e ocupações com pouca valorização social. No entanto, com o passar das décadas, movimentos feministas e políticas públicas impulsionaram mudanças significativas, permitindo que mais mulheres ingressassem no mercado de trabalho e desenvolvessem habilidades empreendedoras.
No Brasil, a modalidade MEI, criada em 2009, tem sido uma ferramenta fundamental para democratizar o empreendedorismo. Em Goiás, a adesão ao modelo simplificado tem crescido anualmente e as mulheres são responsáveis por uma parcela considerável desse avanço. De acordo com a Secretaria da Receita Federal, os negócios liderados por mulheres têm contribuído significativamente para o fortalecimento de economias locais em diferentes regiões do país.
A diversidade de áreas de atuação também chama atenção. Entre os segmentos mais populares, destacam-se os relacionados a moda, beleza, alimentação e prestação de serviços, setores em que as mulheres já possuem grande representatividade nacional. Em solo goiano, esses mesmos ramos despontam como motores de inovação e geração de emprego.
A empresária e consultora de negócios Mariana Silva, que abriu sua empresa em Goiânia neste ano, reflete sobre a importância do empreendedorismo para transformar vidas. “Para mim, tirar minha ideia do papel foi uma forma de realização pessoal e profissional, além de contribuir para a economia da região. Cada mulher que abre um negócio está dizendo que acredita no próprio potencial”, observa.
Os desafios, contudo, ainda são amplos. A precariedade no acesso ao crédito, barreiras culturais e a dupla jornada entre trabalho e responsabilidades familiares figuram entre os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres empreendedoras. Especialistas defendem que políticas públicas mais robustas são indispensáveis para garantir um ambiente favorável ao crescimento de negócios femininos e para reduzir desigualdades históricas.
Em Goiás, programas como o Banco do Empreendedor têm buscado oferecer suporte financeiro e técnico a pequenos e médios negócios, incluindo iniciativas lideradas por mulheres. Ainda assim, há espaço para ampliar a interlocução entre os setores público e privado, promovendo capacitações mais acessíveis e projetos de incentivo à inovação.
Do ponto de vista cultural, o crescimento do número de empresárias também reflete mudanças significativas na percepção social sobre o papel da mulher na economia. O protagonismo feminino não apenas fortalece a economia estadual, mas também serve de inspiração para futuras gerações que enxergam no empreendedorismo um meio de acessar a liberdade e transformar suas realidades.
O cenário projetado para os próximos anos é otimista. Com a popularização da digitalização, novas tecnologias e um mercado consumidor cada vez mais aberto à diversidade de ideias e produtos, espera-se que o número de empresas lideradas por mulheres continue crescendo não apenas em Goiás, mas em todo o Brasil. Para os especialistas, iniciativas voltadas ao fortalecimento do ecossistema empreendedor feminino são fundamentais para garantir que este movimento permaneça em ascensão.
Assim, enquanto o estado celebra os números deste levantamento, também se evidencia a necessidade de aprofundar discussões sobre igualdade de gênero e inclusão no mercado. Para além dos dados, cada empresa aberta carrega consigo histórias de coragem, perseverança e inovação. E essas histórias são o verdadeiro motor da transformação social e econômica que se desenha no coração do Brasil.