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Lançamento em Goiânia celebra as quatro fases da poesia de Adalberto de Queiroz

Com a seleta *Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen*, o poeta Adalberto de Queiroz revisita e reordena quatro décadas de produção lírica em um evento literário que destaca a riqueza e a transformação de sua obra, marcado pela reflexão e apuro estilístico

Lançamento em Goiânia celebra as quatro fases da poesia de Adalberto de Queiroz
Fonte: Jornal Opção (Goiás)

A literatura goiana vivenciou um momento de celebração na última semana com o lançamento da seleta Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen, de Adalberto de Queiroz, em Goiânia. O evento reuniu entusiastas da poesia, escritores e críticos literários em torno de uma obra que sintetiza quatro fases distintas da trajetória poética de Queiroz, resgatando e contextualizando décadas de produção lírica.

A seleta, publicada pela editora Penalux, funciona como uma antologia que reúne poemas originalmente publicados em quatro livros do autor: O Rio Incontornável (2015), O Semeador de Jardins (2017), Lua na Boca da Noite (2019) e As Casas (2021). Contudo, longe de ser apenas uma compilação, o volume foi organizado de maneira a evidenciar a evolução temática e estilística de Queiroz, conectando os diferentes momentos de sua obra por meio de leituras que dialogam com o tempo, a memória e a transcendência. “Este livro é um convite ao leitor para revisitar, sob nova luz, as sementes que plantei ao longo de anos de trabalho”, afirmou o poeta durante o lançamento.

Um apanhado poético: pedra e pólen como metáforas centrais

O título da seleta, Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen, já sintetiza os contrastes que norteiam a escrita de Adalberto de Queiroz. De um lado, a força imagética que confere peso e solidez aos temas universais tratados em sua poesia – vida, morte, fé, paisagens do cerrado –, e de outro, a delicadeza de seu lirismo, que flui leve como um pólen impregnado de simbolismos. Essa dualidade é uma marca de sua obra, caracterizada tanto pela densidade filosófica quanto pela suavidade expressiva.

Assim, o leitor é conduzido por uma jornada que parte de reflexões existenciais para o plano concreto do cotidiano. A poesia de Queiroz carrega ecos de influências modernistas e barrocas, mas mantém um diálogo constante com o tempo presente e com tópicos profundamente humanos. Em suas palavras: “Escrever é habitar o ‘entre’ – entre o material e o imaterial, entre o desespero e a esperança”.

Contexto literário e relevância

Adalberto de Queiroz ocupa uma posição singular na literatura goiana contemporânea. Além de poeta, é também ensaísta e tradutor, com contribuições que vão além da criação literária, envolvendo reflexões sobre arte, espiritualidade e identidade cultural. Seu trabalho, permeado por intertextualidades, busca se reconciliar com a tradição ao mesmo tempo em que a recria, elemento que o torna relevante não apenas no âmbito regional, mas nacional.

Ao longo do evento de lançamento, o autor destacou a importância da preservação da poesia em tempos de excesso de superficialidade. “Vivemos em uma era que privilegia a instantaneidade, mas a poesia nos convida à pausa e à contemplação. Ela é um ato de resistência”, disse Queiroz. O apelo por um retorno ao essencial, ao que leva o ser humano a refletir sobre sua condição, é uma constante que perpassa sua obra, tornando-a tanto acessível quanto relevante para leitores de diferentes gerações.

A literatura brasileira, em especial a poesia, frequentemente luta para se destacar em um mercado editorial dominado pela prosa e por gêneros de apelo comercial imediato. Contudo, iniciativas como a de Queiroz demonstram que há espaço para uma poesia que se recusa a ser domesticada, ecoando as vozes de poetas do passado enquanto antecipa diálogos futuros.

A poesia como ponte entre tempos e espaços

Outro aspecto marcante de Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen é sua capacidade de conectar o local ao universal. A forte presença do cerrado goiano em seus versos não limita a obra ao regionalismo; ao contrário, é a partir da paisagem física e simbólica de Goiás que o poeta constrói pontes para questões universais, como o mistério da existência, o valor da memória e o confronto com a transcendência.

Não por acaso, o livro foi recebido com entusiasmo por leitores que apontam a seleta como uma oportunidade de (re)descobrir um dos nomes mais prolíficos da poesia atual. Em um depoimento durante o evento, a escritora e crítica literária Maria José Silveira destacou: “Adalberto demonstra que a poesia é um estado de espírito, uma forma de estar no mundo. Sua obra nos convida a enxergar o invisível”.

A celebração da palavra poética

O lançamento em Goiânia foi mais do que um evento de divulgação literária: foi uma reafirmação do poder transformador da palavra poética. Realizado em um espaço cultural da cidade, o encontro promoveu um diálogo vivo entre autor e leitores. A noite incluiu momentos de declamação de poemas, discussões sobre o papel da poesia na sociedade contemporânea e um coquetel que trouxe a culinária regional como símbolo de pertencimento.

Ao longo da noite, o público destacou como a poesia de Adalberto de Queiroz nos convida a olhar para dentro – com toda a coragem e vulnerabilidade que isso exige. Para o autor, cada verso oferece uma pausa necessária no fluxo veloz da vida moderna: “A poesia é o lugar onde o tempo se alonga e cria espaço para o essencial”.

Com Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen, Adalberto de Queiroz não apenas revisita sua trajetória, mas reafirma a vitalidade da poesia como um bem cultural que ultrapassa os limites da linguagem. Goiânia, com sua rica herança cultural, foi palco de um evento que deu novo fôlego à literatura regional, demonstrando que, nas palavras do próprio poeta, “a poesia nunca cessa”.

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