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Idosa de 78 anos é resgatada em condições de abandono em Valparaíso

Polícia Civil de Goiás, sob a coordenação da delegada Samya Nogueira Barros, resgatou uma idosa em situação de extremo abandono e precariedade em Valparaíso de Goiás; o caso traz à tona o debate sobre negligência familiar e o cuidado com a população idosa

Idosa de 78 anos resgatada em situação de abandono
Reprodução

A Polícia Civil de Goiás resgatou, na última quinta-feira (data não informada), uma idosa de 78 anos que vivia em condições degradantes e de abandono em Valparaíso de Goiás, município localizado na região do Entorno do Distrito Federal. A operação, conduzida pela delegada Samya Nogueira Barros, expôs uma situação alarmante de negligência familiar e profunda vulnerabilidade social.

A idosa foi encontrada em uma residência insalubre, sem acesso adequado à alimentação, higiene ou qualquer cuidado básico. Segundo a delegada Samya Barros, o cenário observado durante a operação foi “chocante e desumano, com um ambiente totalmente inabitável que revela a gravidade dessa situação de abandono”. A denúncia, feita por vizinhos, despertou a atenção das autoridades e motivou o resgate imediato.

Para além do resgate, o caso destaca um problema estrutural recorrente: a negligência em relação aos idosos no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), o número de idosos no país cresce continuamente, projetando que até 2030 haverá mais pessoas acima de 60 anos do que crianças de até 14 anos. Essa transição demográfica exige um sistema robusto de suporte social e familiar, que muitas vezes se mostra insuficiente.

A idosa resgatada será atendida por serviços de assistência social para que o processo de recuperação de sua dignidade seja garantido. Contudo, o caso de Valparaíso de Goiás não é isolado. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), somente em 2022, o canal Disque 100 registrou mais de 80 mil denúncias de violação de direitos contra idosos, sendo a negligência uma das principais queixas apresentadas.

Especialistas apontam que a negligência, frequentemente cometida por familiares próximos, é consequência de fatores como o envelhecimento populacional, a falta de políticas públicas eficazes e as mudanças nos modelos de convivência familiar. “O papel do Estado e da coletividade deve ser o de garantir que o idoso tenha seus direitos preservados, justamente porque muitos deles se encontram em situação de hipossuficiência, sem autonomia plena para lutar por si mesmos”, explicou uma assistente social ouvida pela reportagem.

Em termos legais, a questão do abandono de idosos é tratada pelo Estatuto do Idoso, que prevê pena de detenção de seis meses a três anos para quem expuser uma pessoa idosa a condições degradantes ou privá-la de necessidades básicas. Apesar disso, o cumprimento efetivo da lei depende de denúncias e da atuação em rede entre diferentes órgãos públicos. Para a delegada Samya Barros, o caso reforça a importância da atuação conjunta entre a sociedade civil, as forças de segurança pública e os serviços de assistência social.

Além do aspecto jurídico, o abandono de idosos também reflete uma desconexão social e afetiva que merece análise. A estrutura familiar no Brasil, historicamente baseada em extensos núcleos familiares, vem mudando nas últimas décadas. A urbanização e o ritmo acelerado da vida contemporânea contribuíram para o enfraquecimento dos laços intergeracionais. O cuidado com pais e avós idosos, que tradicionalmente recaía sobre as famílias, passou a ser delegado, em muitos casos, a instituições ou ao poder público.

Em Valparaíso, os vizinhos desempenharam um papel crucial ao acionar as autoridades. Esse engajamento comunitário é visto como uma ferramenta importante para combater o abandono de idosos. Entretanto, especialistas alertam que é essencial que a sociedade vá além do ato de denúncia e se comprometa em criar uma cultura de respeito e proteção aos mais velhos.

O caso da idosa resgatada em Valparaíso de Goiás serve como alerta e convite para uma reflexão coletiva. Como sociedade, é imprescindível garantir que os direitos fundamentais dos idosos sejam respeitados, tanto no âmbito familiar quanto em espaços institucionais. A longevidade, afinal, não deve ser sinônimo de abandono ou sofrimento, mas de uma vida digna, marcada pelo cuidado e pelo reconhecimento da sabedoria e do valor acumulados ao longo dos anos.

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