As movimentações nos bastidores da política goiana intensificam-se à medida que Gracinha Caiado, figura central e esposa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), articula os preparativos para sua candidatura ao Senado em 2026. Dois nomes ganharam destaque nas discussões internas como potenciais primeiros suplentes: o ex-senador Luís do Carmo e o ex-ministro Alexandre Baldy. Ambos possuem trajetórias marcantes e peso estratégico dentro do cenário político estadual e nacional.
A posição de suplente no Senado, embora muitas vezes subestimada, carrega uma importância chave em estratégias eleitorais no Brasil. Suplentes podem assumir o mandato em caso de afastamento do titular, além de representarem votos junto a diferentes segmentos do eleitorado. Nesse contexto, a definição do nome que comporá a chapa de Gracinha evidenciará não apenas sua base de apoio político, mas também a mensagem que pretende enviar ao público.
A força simbólica e prática de Luís do Carmo
Luís do Carmo, que exerceu o mandato de senador entre 2019 e 2023, aparece como uma escolha natural para atrair o eleitorado evangélico, segmento que tem ganhado crescente relevância nas disputas eleitorais recentes. Filiado ao PSC, o político alia sua experiência parlamentar a um discurso alinhado com pautas conservadoras, o que pode fortalecer a candidatura de Gracinha junto a essa base. Durante sua passagem pelo Senado, Luís do Carmo dedicou atenção especial a questões como segurança pública, direitos das famílias e incentivos fiscais para pequenos empresários.
Além disso, sua proximidade com Ronaldo Caiado pode reforçar a ideia de continuidade e confiança, dois fatores que o grupo político do governador deve explorar para consolidar sua força em Goiás. Luís do Carmo também se destacou pela habilidade em dialogar com diferentes setores políticos, evitando rupturas e se posicionando como um articulador eficiente.
Alexandre Baldy: protagonismo técnico e articulação nacional
Por outro lado, Alexandre Baldy, ex-ministro das Cidades durante o governo de Michel Temer, é visto como uma opção que traz um perfil mais técnico e de articulação voltada ao âmbito nacional. Baldy, que possui vasta experiência no Executivo, é conhecido por sua atuação na viabilização de obras de infraestrutura e políticas de habitação, temas sensíveis ao eleitorado. Seu nome é associado à capacidade de atrair investimentos e diálogo com setores empresariais.
A escolha de Baldy também pode sinalizar o interesse de Gracinha em reafirmar a independência administrativa do governo estadual e a busca por alianças com partidos de centro e centro-direita, ampliando o alcance de sua candidatura. Atualmente filiado ao Progressistas (PP), Baldy possui um histórico de transitar por diversos polos políticos, o que amplia seu poder de articulação.
Estratégia eleitoral e desdobramentos
A escolha do primeiro suplente não é trivial. No sistema eleitoral brasileiro, a figura do suplente está intrinsecamente ligada à estratégia de fortalecimento da chapa majoritária. Por isso, é comum que candidaturas ao Senado sejam acompanhadas de nomes que complementem o perfil do titular em aspectos como representatividade, visibilidade regional e negociação política.
Gracinha Caiado, até o momento, tem mantido discrição sobre suas preferências, enquanto fontes próximas à família Caiado afirmam que as discussões ainda estão em andamento. Contudo, a escolha final deverá levar em conta não apenas o impacto eleitoral, mas também a coesão política no campo governista. Como figura de destaque em Goiás, Gracinha terá que equilibrar expectativas e interesses internos para consolidar sua candidatura em um contexto de maior competitividade nas eleições de 2026.
A definição da suplência também evidencia movimentações mais amplas que transcendem os limites do estado. Goiás, historicamente reconhecido por sua influência no tabuleiro político nacional, deve receber atenção de lideranças que buscam consolidar alianças regionais. A movimentação em torno de Luís do Carmo e Alexandre Baldy reflete essa dinâmica.
Conexão com o cenário político nacional
A disputa por cadeiras no Senado em 2026 ocorre em um momento de transição e reconfiguração do cenário político nacional. O retorno do debate sobre reforma tributária, questões ambientais e redistribuição de recursos federais estabelece a necessidade de maior articulação entre representantes estaduais e lideranças em Brasília. Nesse sentido, a chapa de Gracinha Caiado não deve ser apenas uma representação local, mas também uma peça que se articula nas discussões de alcance nacional.
Além disso, as decisões tomadas por caciques políticos em Goiás podem ecoar em outras regiões, especialmente no centro-oeste, onde temas como agronegócio, infraestrutura e distribuição de recursos federais são centrais para as disputas de poder. Tanto Luís do Carmo quanto Alexandre Baldy possuem trajetórias conectadas a essas pautas, o que reforça a relevância de suas possíveis indicações.
A definição oficial do primeiro suplente deve ocorrer nos próximos meses, e até lá o cenário seguirá permeado por especulações e articulações entre lideranças e partidos. Em tempos de fragmentação política e disputas acirradas, cada decisão tomada nos bastidores pode ter impacto direto nos rumos da política nacional.