O Governo de Goiás está avaliando a expansão do modelo de ensino bilíngue na rede pública estadual, atualmente implementado no Colégio Estadual Lyceu de Goiânia, para outros municípios. Segundo informações preliminares, a proposta contempla unidades escolares em Aparecida de Goiânia, Trindade e Nova Veneza. A iniciativa prevê a introdução de idiomas como espanhol, mandarim e italiano, mas ainda não há cronograma oficial para o início do projeto.
Inspirado no modelo já em funcionamento no Lyceu, um dos mais antigos e tradicionais colégios do estado, o plano reflete um movimento de valorização da educação pública em Goiás. Desde 2021, o Lyceu tem se consolidado como um espaço de inovação educacional, oferecendo aos seus alunos uma experiência de aprendizado que alia o ensino regular ao ensino de uma segunda língua. A ideia de replicar a prática surge em um contexto de crescente demanda social por formação linguística globalizada e alinhada a um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
A escolha dos novos polos de ensino bilíngue não é aleatória. Aparecida de Goiânia, que figura como a segunda maior cidade do estado, apresenta uma rede pública ampla e crescente. Trindade, conhecida por seu polo religioso e populacional, também desponta como um ponto estratégico. Por sua vez, Nova Veneza, com tradições culturais ligadas à imigração italiana, pode encontrar no projeto uma dimensão simbólica ao ofertar o ensino do idioma italiano.
Para além do viés educacional, a expansão do modelo bilíngue pode gerar impactos culturais e sociais significativos. “Aprender um novo idioma não é apenas uma ferramenta de comunicação; é uma forma de abrir janelas para novas culturas e expandir horizontes pessoais e profissionais”, afirmou um representante da Secretaria Estadual de Educação, que preferiu não ter o nome divulgado. A iniciativa também está alinhada a metas globais de desenvolvimento, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que incluem a promoção de uma educação de qualidade e inclusiva.
Embora a proposta seja promissora, ela ainda enfrenta desafios logísticos e financeiros para sair do papel. Uma das questões centrais gira em torno da formação e capacitação de professores. O ensino bilíngue exige não apenas domínio técnico dos idiomas a serem ensinados, mas também métodos pedagógicos adaptados às especificidades culturais e linguísticas dos alunos. Além disso, o governo estadual precisará definir parcerias institucionais ou a aquisição de materiais didáticos adequados, o que também representa uma barreira de custo.
Outro ponto que demanda atenção é o cronograma. Apesar do anúncio inicial, ainda não há previsão de quando as novas escolas bilíngues estariam prontas para receber alunos. O contexto orçamentário do estado e a priorização de recursos diante de outras demandas sociais podem influenciar diretamente na agilidade do projeto. Ainda assim, a iniciativa já levanta discussões sobre a importância de ampliar políticas públicas voltadas à educação globalizada.
Especialistas destacam que projetos dessa natureza podem reduzir desigualdades educacionais ao proporcionar aos alunos da rede pública – tradicionalmente excluídos de oportunidades bilíngues – acesso a ferramentas que os preparem melhor para cenários internacionais. “Ver a inclusão da língua mandarim, por exemplo, é um sinal claro de que o estado está atento às mudanças geopolíticas e aos novos protagonistas globais”, comentou Lidiane Moreira, professora de relações internacionais da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Casos semelhantes ao que está sendo proposto em Goiás já foram implantados em outras regiões do Brasil, com resultados positivos. Em São Paulo, escolas técnicas estaduais passaram a oferecer cursos bilíngues, o que atraiu o interesse de estudantes de diversos perfis. Além disso, a iniciativa em Goiás dialoga com históricos movimentos culturais e educacionais do estado, como a criação do próprio Lyceu há mais de um século.
Embora ainda incipiente, o projeto reflete uma tendência de reestruturação e inovação nos métodos de ensino público, um movimento que, se ampliado, pode contribuir para a formação de uma geração mais preparada para os desafios do século XXI. A expectativa é que novos detalhes sobre o plano sejam divulgados nos próximos meses pela Secretaria Estadual de Educação.