O estado de Goiás encerrou 2025 com a criação de 46 mil novos empregos formais, em um movimento que desafia o cenário nacional de desaceleração no mercado de trabalho. Os dados foram divulgados por fontes ligadas ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revelando que os setores de serviços, comércio e indústria foram os principais motores desse crescimento. O desempenho goiano contrasta com o cenário do restante do Brasil, que mostrou uma queda no ritmo de contratações formais ao longo do ano.
O setor de serviços, que engloba atividades como saúde, educação e tecnologia, foi o maior responsável por impulsionar o saldo positivo em Goiás. De acordo com economistas locais, a diversificação econômica e os investimentos em inovação deram ao estado uma vantagem competitiva singular. “Goiás conseguiu não apenas manter sua força nos setores primários, como também expandir em áreas estratégicas com alto valor agregado”, afirmou o economista Roberto Mendes, especialista em desenvolvimento regional.
Por outro lado, o comércio foi impulsionado pelas vendas de fim de ano e eventos sazonais, enquanto a indústria, especialmente no segmento alimentício e farmacêutico, manteve seu desempenho sólido. A cidade de Anápolis, por exemplo, que abriga um polo industrial farmacêutico estratégico, viu um aumento substancial na abertura de vagas. Já Goiânia, a capital, concentrou as oportunidades no setor de serviços.
Nacional: um movimento inverso
Os números de Goiás ganham ainda mais destaque quando contrastam com o panorama nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou desaceleração na geração de vagas formais em 2025. Entre os fatores apontados estão a elevação das taxas de juros e um ano difícil para a economia global, o que afetou a competitividade de diversos setores.
“Enquanto o Brasil enfrenta um momento de acomodação no mercado de trabalho, Goiás tem demonstrado capacidade de resiliência. Isso se deve a uma combinação de políticas públicas locais eficazes e do dinamismo do setor privado”, explicou a socióloga Helena Freitas, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Contudo, especialistas alertam que a tendência de Goiás pode não ser imune às pressões externas. O crescimento sustentável deverá depender de esforços contínuos para diversificar ainda mais a economia e reduzir sua dependência de setores específicos.
O contexto regional e histórico
A trajetória de Goiás como destaque econômico na região Centro-Oeste não é recente. Desde os anos 2000, o estado tem investido em infraestrutura e atraído investimentos privados. Dessa forma, ocupou um papel de destaque no agronegócio, que hoje se mantém como uma das bases da economia goiana. Porém, o salto mais recente, segundo analistas, resulta de uma transição que privilegia setores urbanos e tecnológicos.
Além disso, programas de incentivos fiscais como aqueles aplicados nos distritos industriais de Aparecida de Goiânia e Anápolis têm conseguido atrair grandes empresas de diferentes segmentos. Esses investimentos refletem a aposta na industrialização, que se soma a um agronegócio cada vez mais mecanizado e produtivo.
Ainda assim, desafios permanecem. Algumas regiões do estado, sobretudo no Norte e Nordeste goiano, carecem de maior integração com os polos econômicos mais dinâmicos. A desigualdade interna é um ponto crítico que precisa ser enfrentado para que os benefícios do crescimento sejam distribuídos de forma mais homogênea.
Goiás como exemplo para o Brasil?
O desempenho de Goiás em 2025 pode ser visto como um exemplo de como políticas regionais bem-sucedidas podem contribuir para desafiar tendências negativas no cenário nacional. A dedicação à diversificação econômica, ao fortalecimento da indústria e à formação de mão de obra qualificada surge como um modelo que poderia ser replicado em outras partes do país, desde que adaptado a suas realidades locais.
Enquanto o Brasil se depara com os desafios de um mercado de trabalho em lenta recuperação, Goiás demonstra que soluções regionais podem desempenhar um papel transformador. Contudo, o futuro exigirá mais do que resiliência: será preciso estratégia, planejamento e coordenação entre diferentes esferas de governo e iniciativa privada para que o estado mantenha seu protagonismo.
A história recente goiana ilustra bem a capacidade de adaptação e reinvenção econômica. Resta saber se essas bases sólidas serão suficientes para sustentar o crescimento nos anos vindouros, especialmente em tempos de incerteza econômica global.