A Secretaria de Saúde de Goiás confirmou recentemente a circulação do vírus da febre amarela em áreas do estado, após a detecção da doença em primatas não humanos, conhecidos como sentinelas epidemiológicos. Esses indicadores naturais são cruciais para monitorar a presença do vírus e prevenir surtos em humanos. Como resposta, o governo estadual intensificou as ações de imunização, priorizando campanhas de conscientização e a oferta de vacinas em unidades de saúde.
De acordo com autoridades sanitárias, a confirmação ocorreu após análises laboratoriais realizadas em amostras coletadas de primatas encontrados mortos em regiões específicas. Essa detecção não indica apenas a presença do vírus no meio ambiente, mas também a necessidade urgente de reforçar as medidas de proteção, especialmente em áreas mais suscetíveis à transmissão, como as que apresentam cobertura florestal densa.
A febre amarela é uma doença viral transmitida por mosquitos, principalmente os do gênero Haemagogus e Sabethes em ambientes silvestres, e pelo mosquito Aedes aegypti em ambientes urbanos. Embora o Brasil tenha registrado uma significativa redução de casos urbanos desde o início do século passado, a circulação do vírus em áreas rurais e de matas continua sendo um desafio para as autoridades. Goiás, com sua rica biodiversidade e vastas áreas naturais, é frequentemente monitorado devido à sua vulnerabilidade.
As campanhas de vacinação, principal estratégia preventiva contra a febre amarela, foram intensificadas nas regiões onde os primatas infectados foram localizados, além de áreas com baixa cobertura vacinal. A vacina, que é oferecida gratuitamente pelo SUS, é altamente eficaz, exigindo apenas uma dose ao longo da vida para garantir imunização. Segundo dados do Ministério da Saúde, 95% de cobertura vacinal é suficiente para interromper a circulação do vírus em uma comunidade. Contudo, em alguns municípios goianos, essa meta ainda não foi alcançada, o que reforça a urgência das ações em andamento.
A febre amarela, cujos sintomas variam de febre e dores musculares a quadros graves com hemorragias e insuficiência hepática, possui um histórico de surtos significativos no Brasil. Entre 2016 e 2018, o país enfrentou um aumento exponencial de casos, com mais de 2 mil registros e centenas de mortes. Na época, Goiás foi uma das regiões afetadas, o que levou o estado a reforçar sua infraestrutura de saúde e estratégias de controle.
De acordo com especialistas, a detecção do vírus em primatas oferece uma oportunidade valiosa para ações preventivas antes que ocorra a infecção em humanos.