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Goiânia mobiliza força-tarefa contra dengue com 2,5 milhões de visitas previstas

Com ações que incluem a inspeção de imóveis fechados e monitoramento intensivo de criadouros do Aedes aegypti, a prefeitura de Goiânia pretende alcançar até 2,5 milhões de residências, em resposta ao aumento dos casos de dengue registrados na capital de Goiás

Prefeitura de Goiânia
Reprodução

A Prefeitura de Goiânia anunciou nesta semana o lançamento de uma força-tarefa massiva para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A medida prevê a realização de 2,5 milhões de visitas domiciliares até o final do ano, como parte de um esforço ampliado para mitigar os impactos do aumento nos casos de doenças transmitidas pelo vetor. A operação se concentra especialmente em imóveis fechados e abandonados, considerados os maiores desafios para o efetivo controle da doença.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os agentes de endemias irão intensificar as inspeções em toda a capital, com visitas em ciclos sequenciais e monitoramento detalhado de eventuais criadouros do mosquito. A força-tarefa também contará com o uso de drones e outras tecnologias para acessar locais de difícil entrada e mapear pontos críticos com maior presença de focos do mosquito. Além disso, campanhas educativas direcionadas devem ampliar a conscientização da população para evitar o acúmulo de água parada em casas e quintais.

A iniciativa surge em um cenário alarmante: Goiás enfrenta um aumento significativo nos casos de dengue em 2023. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o estado se encontra entre os líderes nacionais em incidência da doença. Em Goiânia, os números refletem uma realidade preocupante, com acréscimos consideráveis em comparação aos anos anteriores. "A situação exige resposta imediata e articulada. Precisamos da participação de toda a sociedade", afirmou Durval Pedroso, secretário municipal de Saúde.

O enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti é um desafio global, mas assume particular relevância em áreas urbanas do Brasil, onde fatores como clima tropical, alta densidade populacional e saneamento básico deficitário contribuem para a proliferação das doenças transmitidas. Desde o início do século XXI, surtos de dengue têm sido recorrentes em várias cidades brasileiras, resultando em uma pressão crescente para que os governos locais adotem estratégias mais eficazes a cada nova temporada de chuvas.

Especialistas em saúde pública destacam que o problema vai além do simples controle do mosquito. "A dengue não é apenas um problema de saúde, mas também um reflexo da urbanização desordenada, que dificulta a manutenção de medidas preventivas", avalia o infectologista José Eduardo Ribeiro. Ele chama a atenção para a necessidade de articulações entre os setores de saúde, educação, infraestrutura e limpeza urbana.

Goiânia já investiu em ações semelhantes em anos anteriores, mas nunca em uma escala tão ambiciosa. Para o sucesso da força-tarefa, será fundamental a colaboração da população. O poder público reforça que os moradores devem permitir o acesso dos agentes às residências e atender às orientações sobre o descarte correto de resíduos e prevenção de criadouros. Além disso, a prefeitura promete intensificar o uso de ferramentas digitais para denúncias de imóveis abandonados e acompanhamento em tempo real das ações realizadas.

Outro componente importante da mobilização é o reforço na rede de saúde municipal. Unidades básicas de saúde e hospitais estão sendo preparados para enfrentar um possível aumento na demanda de atendimentos relacionados às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. "Nossa prioridade continua sendo evitar internações e, principalmente, óbitos", destacou Durval Pedroso.

Uma inovação da atual força-tarefa é a integração das campanhas educativas ao ambiente escolar. A Secretaria de Educação, em parceria com a SMS, está promovendo atividades pedagógicas focadas em prevenção e cuidados. Crianças e adolescentes são incentivados a atuar como "agentes mirins", uma estratégia que busca ampliar a conscientização em nível familiar.

Os desafios, entretanto, não são poucos. Além do alto índice de imóveis desocupados, outros fatores dificultam o combate efetivo ao Aedes aegypti, como a resistência de parte da população em permitir a entrada dos agentes. "Ainda encontramos barreiras culturais e até desinformação que prejudicam as ações de controle", pontuou o coordenador do programa de combate à dengue, Henrique Barbosa.

A iniciativa em Goiânia reflete uma tendência nacional de intensificação das medidas contra o mosquito. Diversas cidades brasileiras têm enfrentado dificuldades semelhantes, especialmente no período úmido, quando as chuvas criam condições ideais para a proliferação do vetor. Estudos recentes indicam que as mudanças climáticas podem intensificar essas condições nos próximos anos, ampliando o alcance geográfico das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Com a meta ambiciosa de 2,5 milhões de visitas domiciliares, Goiânia assume o protagonismo na luta contra a dengue em Goiás, mas o combate efetivo dependerá, em última instância, de uma abordagem integrada que inclua políticas públicas robustas, investimentos contínuos e ampla participação da sociedade. A força-tarefa é um passo importante, mas precisa ser sustentada por ações de longo prazo que transformem a gestão de saúde e o planejamento urbano da capital.

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