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Goiânia investirá em mil câmeras e novos ecopontos para combater descarte irregular

Plano da prefeitura inclui reforço na fiscalização ambiental com instalação de mil câmeras, ampliação de ecopontos e incentivos fiscais para atrair empresas de logística reversa à capital goiana

Prefeitura de Goiânia
Reprodução

A Prefeitura de Goiânia anunciou um ambicioso plano para enfrentar o descarte irregular de resíduos na cidade. Entre as medidas, destacam-se a instalação de mil câmeras de monitoramento, a ampliação da rede de ecopontos e a criação de incentivos fiscais para empresas de logística reversa de móveis. O projeto foi apresentado nesta semana pelo secretariado municipal, que promete implementar as ações até o final de 2024.

O descarte inadequado de resíduos tem sido um problema crescente em Goiânia, impactando o meio ambiente e a qualidade de vida da população. De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), a capital goiana coleta, em média, 1.200 toneladas de resíduos sólidos por dia. Parte desse volume acaba sendo descartada de forma irregular em terrenos baldios, áreas verdes e vias públicas.

A instalação das câmeras de monitoramento será estratégica e terá como objetivo ampliar a fiscalização, coibir infrações e identificar responsáveis por práticas ilegais de descarte. Conforme a prefeitura, os equipamentos serão distribuídos em pontos críticos da cidade, mapeados a partir de uma análise técnica conduzida pela Semma em parceria com a Guarda Civil Metropolitana (GCM). "Com o avanço da tecnologia, queremos usar esses meios como instrumentos de conscientização e de responsabilização", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Raílder Rodrigues.

Outro eixo do projeto é a inauguração de seis novos ecopontos, unidades destinadas ao recebimento de materiais recicláveis e resíduos volumosos, como móveis e eletrodomésticos. Atualmente, Goiânia conta com oito ecopontos em operação, mas a capacidade ainda é insuficiente para atender à demanda de uma cidade com quase 1,6 milhão de habitantes. A ampliação pretende proporcionar maior conveniência aos moradores e estimular o descarte correto. "Estamos tratando essa questão como prioridade para garantir uma cidade mais limpa e sustentável", ressaltou Rodrigues.

Além disso, o plano inclui a regulamentação de uma lei federal que trata da logística reversa, um modelo de gestão que responsabiliza empresas e consumidores pelo descarte ambientalmente correto de produtos e embalagens pós-consumo. A prefeitura estuda formas de atrair empresas especializadas nesse segmento para operar em Goiânia, por meio de incentivos fiscais e parcerias público-privadas. Segundo o prefeito Rogério Cruz, essa política faz parte de uma visão estratégica para posicionar Goiânia como referência nacional em sustentabilidade. “Queremos alinhar crescimento com responsabilidade ambiental. A destinação correta dos resíduos não é apenas uma obrigação legal, mas também uma oportunidade de geração de emprego e renda na área de reciclagem”, afirmou.

O plano da gestão municipal também dialoga com movimentos globais pela preservação ambiental e pela economia circular, uma abordagem que busca reaproveitar ao máximo os recursos e reduzir o desperdício. Especialistas consultados apontam que a iniciativa é positiva, mas destacam a importância de campanhas de educação ambiental para que as medidas de fiscalização e ampliação dos ecopontos alcancem resultados efetivos. "A conscientização da população é fundamental para que esse projeto tenha impacto real. Não basta ampliar a estrutura física; é preciso mudar comportamentos", explicou a ambientalista e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marta Lúcia Ribeiro.

A questão do lixo e do descarte irregular não é nova em Goiânia. Desde o início da década passada, diversos estudos e diagnósticos apontaram a necessidade de políticas públicas mais incisivas para combater o problema. No entanto, o montante limitado de recursos e a falta de continuidade nas gestões anteriores acabaram comprometendo a execução dos planos propostos.

Com o anúncio das novas ações, a prefeitura promete dar mais robustez ao planejamento ambiental. O investimento inclui recursos próprios e parcerias com a iniciativa privada, além de possíveis verbas federais e estaduais direcionadas ao setor. Mesmo assim, críticos da gestão apontam desafios na efetividade do plano, como a gestão a longo prazo e a implementação transparente dos mecanismos de fiscalização.

No âmbito jurídico, o reforço das ações para coibir o descarte irregular se apoia em legislações federais e municipais. O Código de Posturas do Município prevê multas para quem for flagrado descartando lixo de forma irregular, com valores que variam de R$ 500 a R$ 5 mil, dependendo da gravidade da infração. A instalação das câmeras promete aumentar a aplicação das penalidades, mas também levanta questões sobre privacidade e uso responsável das imagens pela administração pública.

A reação da população ao plano, até o momento, tem sido positiva, mas há dúvidas sobre a sua execução e fiscalização. José Augusto de Almeida, morador do Setor Campinas, um dos bairros mais antigos da cidade, afirma que os moradores esperam há anos uma solução para o problema do lixo. Ele pontua, entretanto, que o sucesso das medidas dependerá da comunicação com a comunidade: "É importante que as pessoas tenham consciência e apoio para adotarem práticas corretas, mas a prefeitura precisa estar presente de forma eficaz para dar suporte e fiscalizar."

Ao que tudo indica, o projeto da Prefeitura de Goiânia combina ações práticas e estratégicas para mitigar um problema ambiental persistente e complexo. A integração entre medidas de fiscalização, melhorias na infraestrutura e estímulos econômicos para empresas sinaliza um esforço para efetivar uma gestão de resíduos mais sustentável. No entanto, para que as metas sejam atingidas, será indispensável garantir uma execução consistente, com base em transparência, participação popular e educação ambiental.

Por fim, o desafio será transformar o plano em resultados tangíveis que reflitam tanto na limpeza urbana quanto no fortalecimento da cultura de responsabilidade ambiental em Goiânia. Os próximos meses deverão revelar se a capital goiana será capaz de liderar um modelo de sustentabilidade viável e replicável, ou se as propostas continuarão no papel, como em gestões anteriores.

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